segunda-feira, 30 de março de 2009

O aprendiz de ladrão - História Zen (II)




“O aprendiz de ladrão”
História Zen (II)


Edvaldo Santiago

Pelo que temos visto e ouvido por aí, estão voltando a contar histórias. A pedagogia que tanto prestigiou a história ou estória está de volta.

As didáticas insossas, realistas, cansativas de tantas apostilas sem vida estão permitindo a ação indispensável do velho professor dos conselhos, das pequenas regras morais, das histórias divertidas, salutares, cheias todas elas de dignificantes exemplos de vida. Aí está à extraordinária e inacabável história de “O Sítio do pica-pau amarelo, do grande escritor Monteiro Lobato”. Além de ser contada e ouvida por várias gerações essa história é sempre nova.

Confesso que gosto de ouvir e de contar histórias. Histórias de “João e Maria”, “Aladim e a lâmpada maravilhosa”, “Ali Babá e os 40 ladrões”, “Gata borralheira”, “Branca de Neve e os sete anões”, “Cinderela” e tantas outras histórias da nossa infância às saudosas e vividas histórias de Malba Tahan. “Minha vida querida”, “Maktub”, “Mil histórias sem fim”, “O homem que calculava”, "À sombra do arco-íris”, coleção inteira do valoroso mestre, didata por excelência. Lemos tudo de Malba Tahan, incentivo maior e grato na nossa humilde carreira de Magistério.
As histórias de Malba Tahan foram o “Abre-te Sésamo” do meu amor pela educação, pela profissão amada que tenho e cultivo até hoje. Quantas histórias! Faladas, cantadas, gesticuladas, inventadas com a magia do quadro-negro, um cabo de vassoura, uma lata de massa de tomate marca “Peixe” e a intuição, o gosto pelo ensino a nossa paixão maior: os alunos e as alunas! Minhas borboletas azuis!

Como lembrança, como talismã precioso guarda o livro-chave da minha profissão de professor: “A Arte de Ler e de Contar Histórias” de Malba Tahan. Um tesouro na arte de contar histórias, conversar com meninos, meninas e adultos. Aprendi a contar histórias, o milagre do professor que mais educa que ensina. Dá mais valor à qualidade que à quantidade.
Permitam mais por saudade que vaidade nossa. Fomos alunos de Malba Tanan. Tivemos o privilégio e almoçar e tomar cafezinho com ele. Nosso professor de Didática Geral em 1957, no Colégio da Bahia, curso de Aperfeiçoamento do Magistério, em vias de começar nossa vida profissional no saudoso, inesquecível e maravilhoso “Ginásio e escola Normal de Rio Novo”.
Das histórias de Malba Tahan, dentro de fora da escola, mais nos aprofundamos com os contos de Grimm, de Andersen (Hans Christian), as fábulas de Esopo, de La Fontaine, aos contos de Machado de Assis, o estilista inimitável, nosso contador de histórias maior, Jorge Amado. Histórias, histórias a começar dos quadrinhos: gibi, saci pererê, a onça e o macaco, o coelho e o jabuti e por aí afora. Contar e viver histórias!

A escola está revivendo historias nas salas de aulas. Entre uma história e outra uma pitada de conhecimento; uma gota de humor e otimismo; um tiquinho de formação. Fora a atenção dos ouvintes.

Contar historias é ciência e arte a um só tempo.
Perdoem-nos os leitores. Ia-nos perdendo. Nosso intuito não é só dizer que gostamos de história. Nosso objetivo é contar uma história.

De autor em autor, de tempos em tempos diferentes; dentro da escola e fora dela, nunca deixamos a história, a literatura, a busca de conhecimentos. Uma forma eficaz de lubrificar o cérebro e a mente do idoso oitentão.

Assim é que, passando por dezenas e dezenas de “contadores de histórias”, nos deparamos com o já conhecido e mencionado Osho, cujo nome próprio é Bhagwan Shree Rajneesh. Desse irreverente, ousado e genial filósofo, diz melhor Sunday Times de Londres sobre Osho, dizendo ser ele um dos “Mil Construtores do Século XX” e considerado pelo escritor americano Tom Robbins como o “homem mais perigoso desde Jesus Cristo”.

Dessa vez, o sábio e iluminado Oslo, em seu livro “Harmonia Oculta”, como é oculta e misteriosa a sabedoria de Deus, nos narra à história sobre o Divino, o Aberto, o Absoluto e insondável mistério: Que é ou quem é Deus? Ou para outros povos: “Que é ou Quem são Brahma, Zen, Zeus, Osíris, Shiva e tantos outros deuses baseados na tradição espiritual dos tempos”.
A historia contada por Osho é de autoria de Gloso Hoyen. Abaixo, na íntegra..
· Quando as pessoas me perguntam como é o Zen,
Eu lhes conto a seguinte história:

Percebendo que o pai estava envelhecendo, o filho de um ladrão, pediu-lhe que lhe ensinasse o ofício, de modo que pudesse encarregar-se dos negócios da família, depois que o pai se aposentar.

O pai concordou e naquela noite eles invadiram uma casa juntos.

Abrindo uma arca enorme, o pai mandou o filho entrar ali para pegar as roupas. Logo que o rapaz entrou na arca e o pai a fechou e depois fez um grande barulho de modo que todos na casa acordassem. Então ele se esgueirou para fora da casa.

Fechado dentro da arca, o rapaz ficou irado, aterrorizado e confuso, sem saber como faria para sair. Então, ocorreu-lhe uma idéia – ele resolveu fazer ruídos imitando um gato.

A família mandou que uma empregada pegasse uma vela e fosse examinar a arca.
Quando a fechadura foi aberta, o rapaz pulou de dentro, apagou a vela, passou correndo pela empregada assustada e fugiu. As pessoas correram atrás dele.

O rapaz, percebendo um poço ao lado da estrada, atirou ali uma pedra pesada e sumiu na noite escura. Os perseguidores cercaram o poço, tentando ver o ladrão se afogando.
Quando o rapaz chegou a casa, indignado com o pai, começou a contar-lhe o que acontecera. Mas o pai o interrompeu:

- Não se incomode em me contar os detalhes. Você
Aprendeu o oficio.

Em uma de suas parábolas, Mateus 15, 12-16, Jesus Cristo expôs:

E, clamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi, e entendei:
Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina. Então os discípulos, aproximando-se dele, perguntaram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram? Respondeu-lhes ele: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são guias cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco. E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola. Respondeu Jesus: Estai vós também ainda sem entender?


Ora, ora
Quem tem ouvidos que ouça;
quem tem olhos, que veja!


30.03.2009

sábado, 28 de março de 2009

5º Domingo da Quaresma

DIOCESE DE ILHÉUS - PARÓQUIA DE SÃO ROQUE
IPIAÚ – BAHIA

Dia da Igreja
· 5º Domingo da Quaresma


Edvaldo Santiago
Ano B – Marcos
29 de março de 2009

Estamos na 5ª e última semana da Quaresma. A caminha da Páscoa, da Libertação.
Aí vem Jesus Cristo, o verdadeiro Messias.
Antes de ler o Evangelho de hoje, pare, pelo menos, um minuto, e reflita bem. Como passou a semana, em casa e no trabalho. Como tem sido sua convivência com a esposa, com os filhos, de modo geral, com todos (as) que o (a) rodeiam.
Estamos em fase de preparação para a Páscoa. Libertação!

Oração do Dia

Senhor Jesus, a vida jorrou abundante de tua fidelidade até à morte de cruz. Possa eu beneficiar-me desta plenitude, (Paulinas).

· Leituras para comentário e reflexão:

1ª Leitura – Jeremias 31, 31 – 34

31 Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá,
32 não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor.
33 Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.
34 E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados.
Salmo – 51, 1 - 4
1 Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.
2 Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado.
3 Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.
4 Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos; de sorte que és justificado em falares, e inculpável em julgares.
2ª Leitura – Hebreus 5, 7 - 9

7 O qual nos dias da sua carne, tendo oferecido, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que podia livrar da morte, e tendo sido ouvido por causa da sua reverência,
8 ainda que era Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu;
9 e, tendo sido aperfeiçoado, veio a ser autor de eterna salvação para todos os que lhe obedecem,

Evangelho - João 12, 20 – 33



Queremos ver Jesus!

20
Havia alguns gregos entre os que subiram para adorar durante a festa.

21.
Estes se aproximaram de Filipe (aquele de Betsaida da Galiléia) e rogaram-lhe: Senhor, quiséramos ver Jesus.

22.
Filipe foi e falou com André. Então André e Filipe o disseram ao Senhor.

23.
Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado.

24.
Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto.

25.
Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna.

27.
Presentemente, a minha alma está perturbada. Mas que direi?... Pai, salva-me desta hora... Mas é exatamente para isso que vim a esta hora.

28.
Pai, glorifica o teu nome! Nisto veio do céu uma voz: Já o glorifiquei e tornarei a glorificá-lo.

29.
Ora, a multidão que ali estava, ao ouvir isso, dizia ter havido um trovão. Outros replicavam: Um anjo falou-lhe.

30.
Jesus disse: Essa voz não veio por mim, mas sim por vossa causa.

31.
Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo.

32.
E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim.

33.
Dizia, porém, isto, significando de que morte havia de morrer.

- Comentário do Evangelho -

- A missão do verdadeiro Messias -

Os evangelhos, escritos algumas décadas após a morte de Jesus contam e interpretam a história de Jesus Ressuscitado. o Messias que haveria de vir até nós. Já antes, muito antes – Antigo Testamento – os profetas se referiam o Redentor do Mundo.

Praticamente, até aqui, João nos conta como surgiu a comunidade do Discípulo Amado. Essa comunidade surgiu do encontro entre judeus e gregos – não judeus. O que se confirma, no início do evangelho, o interesse de alguns judeus querendo conhecer o Mestre.

Era a festa da Páscoa judaica. Também a Páscoa de Jesus.

Alguns gregos que compareceram à festa, queriam ver Jesus e pediram aos discípulos que isso chegasse ao conhecimento do Filho do Homem.

Tomando conhecimento desse fato, Jesus respondeu:

“É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado” (v 23), Da morte nasce a Vida, sabia muito bem Jesus, enviado por Deus para a salvação do mundo. Jesus vai dar a vida por amor!

A profundidade destes dois versículos nos indica, nos faz meditar sobre a grandeza do ato e da atitude de Jesus, Filho de Maria.

Presentemente, a minha alma está perturbada. Mas que direi?... Pai, salva-me desta hora... Mas é exatamente para isso que vim a esta hora.

Pai, glorifica o teu nome! Nisto veio do céu uma voz: Já o glorifiquei e tornarei a glorificá-lo. (vv 2 e 28)

Antes, comparando-Se ao trigo, que precisava ser enterrado e morrer para nascer de novo, Jesus, humano, Se encontra nesse momento culminante na história do Cristianismo.

O Jesus, humano, vacila, tem medo. Receia do cálice que tem a aceitar em sua missão. Reflete: Não foi para isso que Eu vim ao mundo? Ele pede ao Pai que O salve, não deixe que Ele seja tentado a fugir da Sua missão.

Que não se faça a minha vontade, mas a Tua, Pai!

Pai, glorifica o teu nome!

Nesse instante, do céu veio uma voz:

Já o glorifiquei e tornarei a glorificá-lo!

Foi feita a vontade do Pai. Com a glorificação do Filho. Vitória da Vida sobre a morte. . Anunciada por Jeremias a "lei no coração" (primeira leitura) é o mandamento do amor comunicado por Jesus. Em suas lições, na sua experiência, na sua missão divina.

Perante a assombração de todos pelos fatos desse momento, Jesus anunciou que essa Voz, esse Aviso é o Pai que a todos faz, preanunciando o Juízo.

Concluindo, o Redentor anunciou que ao levantar-Se da terra atrairia todos. Na segunda leitura, Hebreus, Paulo conclui: Aperfeiçoado, veio a ser Jesus autor de eterna salvação para todos os que lhe obedecem.

Última semana da quaresma. Prenúncio da Semana Santa - Páscoa - reflexão sobre a Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.

Como discípulos e missionários reflitamos todos esses momentos,

Bom Domingo para todos.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


Wanda e Tatai

29.03.2009

sexta-feira, 20 de março de 2009

Jesus e Nicodemus - Nascer de Novo

DIOCESE DE ILHÉUS - PARÓQUIA DE SÃO ROQUE
IPIAÚ – BAHIA

Dia da Igreja
· 4º Domingo da Quaresma

Edvaldo Santiago

Ano B – Marcos
22 de março de 2009

Estamos no tempo Quaresma. Tempo de penitência e conversão. Tempos fortes de oração e profunda reflexão sobre a nossa vida de cristão, cristão comprometido com sua própria existência.
Antes de ler o Evangelho de hoje, pare, pelo menos, um minuto, e reflita bem. Como passou a semana, em casa e no trabalho. Como tem sido sua convivência com a esposa, com os filhos, de modo geral, com todos (as) que o (a) rodeiam.
Estamos em fase de preparação para a Páscoa. Libertação!

Oração do Dia

Pai, instrui-me, por teu Espírito, a respeito da pessoa e da missão de Jesus, e leva-me a aderir ao teu Filho, sempre com maior radical idade. (Paulinas).

· Leituras para comentário e reflexão:

1ª Leitura - 2Crônicas 36, 14 - 16. 19 - 23

14 Além disso todos os chefes dos sacerdotes e o povo aumentavam cada vez mais a sua infidelidade, seguindo todas as abominações dos gentios; e profanaram a casa do Senhor, que ele tinha santificado para si em Jerusalém.

15 E o Senhor, Deus de seus pais, falou-lhes persistentemente por intermédio de seus mensageiros, porque se compadeceu do seu povo e da sua habitação.

16 Eles, porém, zombavam dos mensageiros de Deus, desprezando as suas palavras e mofando dos seus profetas, até que o furor do Senhor subiu tanto contra o seu povo, que mais nenhum remédio houve.

19 Também queimaram a casa de Deus, derribaram os muros de Jerusalém, queimaram a fogo todos os seus palácios, e destruíram todos os seus vasos preciosos.

20 E aos que escaparam da espada, a esses levou para Babilônia; e se tornaram servos dele e de seus filhos, até o tempo do reino da Pérsia,

21 para se cumprir a palavra do Senhor proferida pela boca de Jeremias, até haver a terra gozado dos seus sábados; pois por todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram.

22 Ora, no primeiro ano de Ciro, rei da pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor proferida pela boca de Jeremias, despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, de modo que ele fez proclamar por todo o seu reino, de viva voz e também por escrito, este decreto:

23 Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus do céu me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá. Quem há entre vós de todo o seu povo suba, e o Senhor seu Deus seja com ele.

Salmo - 136, 1 - 3

1 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre.
2 Dai graças ao Deus dos deuses, porque a sua benignidade dura para sempre
3 Dai graças ao Senhor dos senhores, porque a sua benignidade dura para sempre;

2ª Leitura - Efésios 2, 4 - 10

4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
5 estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
6 e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus,
7 para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo Jesus.
8 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus;
9 não vem das obras, para que ninguém se glorie.
10 Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.

· Evangelho – João 3, 14 – 21

14 E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;
15 para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna.
16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
18 Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
19 E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más.
20 Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
21 Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que seja manifesto que as suas obras são feitas em Deus.

Jesus e Nicodemos

- Comentário do Evangelho -


“Eu vim para que tenham vida e
“a tenham em abundância”.
João 10, 10.

Continua Jesus Cristo em suas pregações e lições, nos ensinar o valor da vida e da liberdade. São as razões fundamentais da sua vinda entre nós.

João narra, no evangelho de hoje, praticamente, a continuação do diálogo do Mestre com Nicodemos, o fariseu amigo.

Não foi fácil convencer o importante cidadão que era preciso nascer de novo para chegar ao Reino dos Céus.

Hoje, começa a narração de João com o episódio de Moisés, no deserto, que levanta serpente, a fim de dar exemplo aos judeus da confiança que devem ter no Senhor. Com essa confiança, com essa fé, todo aquele que crê terá a vida eterna.

O Pai enviou seu Filho até nós, com a intenção de que todos os que nEle crêem tenham a vida eterna. Jesus não veio ao mundo para nos condenar, antes veio o Mestre nos trazer a salvação. Será por Ele condenado aquele que não crê, não confia, mesmo presenciando seus milagres, vendo a realização de suas obras.

Na sua bela comparação, João expõe que a Luz veio até nós, no entanto preferimos viver nas trevas, sem nada enxergar. Assim, da Luz, boas obras; das trevas, naturalmente, más obras.

Por fim, só nascendo de novo, nascendo todos os dias, da água e do espírito, poderemos nós perceber de que lado está a Luz, de que lado, estão as trevas. Com tal discernimento, encontraremos o caminho que nos levará ao Reino.

Na primeira leitura, em Crônicas, encontramos os judeus em apoio total a sua lei em contradição com os desígnios de Deus. Eles zombam das mensagens de Deus, derrubam muros de Jerusalém. É o caos.

Na segunda leitura, em Efésios, Paulo nos assegura que só seremos salvos pelas graças de Deus.

Bom Domingo para todos.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

22.03.2009

domingo, 15 de março de 2009

Reflexões sobre Você

Reflexões sobre Você


Edvaldo Santiago


Sobre mim. Sobre nós. Sobre o ser humano, reflexões sobre o homem. Na sua própria visão interior, quem é Você?

Afinal de contas, quem somos nós, de onde vimos, para onde vamos e o que fazemos aqui neste mundo de meu Deus? Bebendo, comendo, dormindo...

Você já pensou, tem refletido bem. Repetimos:

Quem é você?

Curiosas indagações, perguntas a esmo, todavia reflexões profundas sobre o mundo em que estamos vivendo. Diante de tantas coisas más, estranhas, absurdas que estão acontecendo comigo, com Você, conosco, chegamos a duvidar da nossa humanidade.

Estamos, insistentemente, provocando em Você um instante de reflexão. Porque, de modo geral, estamos alheios ao que se passa em nossa volta, em achando tudo normal, tudo conforme, nada de mais.

Filho mata pai, pai mata filho. Pai, avô praticam sexo com filhas, netas. Netos matam avós para tirar dinheiro para drogas. Idosos são diariamente maltratados, filhos colocam pais nos asilos para deles se livrarem. E nada de mais acontece, senão alguns dias de escândalos, manchetes nos jornais e pronto. Tudo volta ao normal.

Que é que se pode fazer? O mundo modificou, estamos na época da globalização. Toda essa crueldade faz parte do sistema.

Que nos importa que, os países ricos se reúnam para discutir se a terra é mesmo redonda, enquanto a fome e a AIDS devoram países da África? Enquanto jovens cheios de vida são consumidos pelas drogas. Enquanto uns tantos morrem de fome, outros curtem caviar, ainda se queixam das bolsas de valores!.

Bertold Brecht no seu poema “As Novas Eras”’, nos adverte:

“Nada é impossível de mudar
Desconfiai do mais trivial, na aparência singela.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar”.
Nada é impossível de mudar. E é mesmo. Mudar ou ficar no que está, depende de mim, depende de Você. Reflita, sozinho, medite. Lembre-se do passarinho que tentou apagar o incêndio na floresta, carregando água no bico.
Faça a sua parte, não se constitua pequeno, ínfimo, incapaz. Vamos, ande, cresça e apareça, valorize-se e saiba quem é Você.
Estamos indagando: Estamos inquirindo quem é Você, mesmo sabendo que é você mesmo, quem sabe quem é você,

- Você fuma? E sabe que o cigarro lhe proporciona doenças incuráveis, doenças que lhe encurtam a vida. Mas fuma.

- Você usa drogas? Sabe que, por poucos minutos de êxtase, de um mundo colorido e misterioso, Você pode não ser mais Você? A alienação e a violência passam a dominá-lo, tomam conta de sua vida. E por que usa?

Perdoe-nos a pergunta Você ése considera um cidadão honesto? Está sendo incorreto nos seus compromissos, deliberadamente? Seja nas grandes ou pequenas coisas, está agindo de encontro à moral?

- Em qualquer setor de sua vida, tem feito concessões, aberto precedentes? Conhece e exercita o jeitinho brasileiro de facilitar as coisas?

- Em família, tem feito sermões, pregado moral ou tem dado exemplos e testemunho de sua vida? De sua luta, de seus esforços, de seus estudos..

- Tem consciência de quem Você é? Da sua importância, do seu valor? De seu amor próprio?

Somos originalmente diferentes um do outro, apesar de origem semelhante. Somos seres humanos dotados de inteligência, liberdade, vontade e Você, as vezes, se esqueceu dessa grandeza. Prefere migalhas catadas no chão às estrelas brilhantes que alumiam a nossa vida. Galinhas em vez de águias.

Acomodam-se. Acompanham a onda. Todos fazem assim. Sempre foi assim. A isso, os entendidos em Psicologia chama de zona do conforto. Pra que mudar? Graças a Deus, não foi comigo, nem com gente minha.

Mas insistimos:

Quem é você?

Foi em Osho, gênio indiano, profeta, místico irreverente, que encontramos o texto. Em “Faça o seu coração vibrar”, páginas 12, 26, 75.

Olhe, veja, ouça, perceba, reflita: quem é Você.

“Nunca existiu uma pessoa como Você antes, não existe alguém neste mundo agora nem nunca existirá. Veja só o respeito que a vida tem por Você. Você é uma obra de arte – impossível repetir, incomparável, absolutamente única”.

“O homem (Você) nasce como uma semente; pode tornar-se como uma flor ou não. Tudo de depende de Você, do que faz consigo mesmo. Tudo depende do fato de crescer ou não. A escolha é sua – e essa escolha tem que ser feita a todo o momento. A todo o momento Você se encontra numa encruzilhada”.

“Você tem que se tornar Você mesmo!”

Lembre-se, jamais se esqueça:

“As pessoas são sempre únicas, incomparáveis”.

“Você é Você; eu sou eu. Eu tenho que contribuir para a vida com meu potencial; Você tem que contribuir com o seu. Eu tenho que descobrir o meu próprio ser; Você tem que descobrir o seu”.

E daí, diante de tanta beleza que Você possui, não merece maior cuidado com Você mesmo? el, e irrepete Deus,eza que Vocuir par a vida com meu potencial; Vov. Diante do privilégio de ser filho de Deus, único e irrepetível, não é suficiente para ser feliz?

A vida é bela! Mas depende de Você. Há vários caminhos a sua frente. Não deixe ninguém decidir por Você. Use a cabeça, mais ainda, o coração e siga em frente.

Reflexões sobre Você!

Post Scriptum

Se possível, leia o texto sozinho. Num canto da casa, no quarto, no jardim, aonde puder, leia e releia nosso escrito. Foi feito com muito amor e dedicado a Você. Juntos, nós poderemos fazer do mundo um novo Paraíso, onde reinem a Partilha, a Paz, a Solidariedade.

Acredite!

16/março/2009

quinta-feira, 12 de março de 2009

3º Domingo da Quaresma - Entrada de Jesus em Jerusalém

DIOCESE DE ILHÉUS - PARÓQUIA DE SÃO ROQUE
IPIAÚ – BAHIA

Dia do Senhor


3º Domingo da Quaresma


Edvaldo Santiago


Ano B – Marcos


15 de março de 2009

Estamos em plena Quaresma. Tempo de penitencia e conversão. Tempos fortes de oração e profunda reflexão sobre a nossa vida de cristão, cristão comprometido com sua própria existência.
Antes de ler o Evangelho de hoje, pare, pelo menos, um minuto, e reflita bem. Como passou a semana, em casa e no trabalho. Como tem sido sua convivência com a esposa, com os filhos, de modo geral, com todos (as) que o (a) rodeiam.
Estamos em tempos fortes de espiritualidade.

Oração do Dia

Senhor Jesus, que eu tenha pelas coisas do Pai o mesmo zelo que tiveste, sabendo reconhecer as exigências práticas da minha fé. (Paulinas)

· Leituras para comentário e reflexão:

1. Êxodo 20, 1 - 17

.
Então Deus pronunciou todas estas palavras:

“Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão.

Não terás outros deuses diante de minha face.

Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra.

Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniqüidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam,

mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.

“Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em prova de falsidade, porque o Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro.

Lembra-te de santificar o dia de sábado.

Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra.

Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus muros.

Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso. o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou.
12.
Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus.
13.
Não matarás.

Não cometerás adultério.
.
Não furtarás.
Não levantarás falso testemunho contra teu próximo.

Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás

2. Salmo 19, 1 – 8

Ao mestre de canto. Salmo de Davi.

Que o Senhor te escute no dia da provação, e te proteja o nome do Deus de Jacó.
Do seu santuário ele te socorra, e de Sião ele te sustente.
Lembre-se de tuas ofertas, e aceite os teus sacrifícios.
Conceda-te o que teu coração anela, e realize todos os teus desejos.

Possamos nós alegrar-nos com tua vitória e levantar as bandeiras em nome de nosso Deus. Sim, que o Senhor realize todos os teus pedidos.
Já sei que o Senhor reservou a vitória para seu ungido, e o ouviu do alto de seu santuário pelo poder de seu braço vencedor.

Uns põem sua força nos carros, outros nos cavalos. Nós, porém, a temos em nome do Senhor, nosso Deus.

3. 1 Coríntios 1, 22 – 25

Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria;

mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos;
mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus.

Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.


Jesus é o novo Templo

4 João 12, 13 - 25

Saíram-lhe ao encontro com ramos de palmas, exclamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel!

Tendo Jesus encontrado um jumentinho, montou nele, segundo o que está escrito:
Não temas, filha de Sião, eis que vem o teu rei montado num filho de jumenta (Zc 9,9).
Os seus discípulos a princípio não compreendiam essas coisas, mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito a seu respeito e de que assim lho A multidão, pois, que se achava com ele, quando chamara Lázaro do sepulcro e o ressuscitara, aclamava-o.

Por isso o povo lhe saía ao encontro, porque tinha ouvido que Jesus fizera aquele milagre.
Mas os fariseus disseram entre si: Vede! Nada adiantamos! Reparai que todo mundo corre após ele!

Havia alguns gregos entre os que subiram para adorar durante a festa.

Estes se aproximaram de Filipe (aquele de Betsaida da Galiléia) e rogaram-lhe: Senhor, quiséramos ver Jesus.
Filipe foi e falou com André. Então André e Filipe o disseram ao Senhor.

Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado.
.
Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto.
Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna
.
- Comentário do Evangelho -

“Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”
João 10, 10

Liberdade e Vida são o propósito da vinda do Filho de Deus ao mundo. Nascido de Maria, Ele veio nos dar exemplos de como viver amando e servindo. Servir é a missão dos discípulos, fazendo o que Jesus fez: num gesto de total humildade, lavou os pés dos discípulos.

João, o evangelista do amor, nos conta a chegada triunfal de do Filho de Deus a Jerusalém, a fim de ser glorificado.

Palavras do próprio Jesus:

É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado” (v 23).

Era chegada a páscoa dos judeus. Nessa mesma época aconteceria a páscoa de Jesus.

Assim que o Filho do Homem chegou em Jerusalém, com ramos de palmas o povo O aplaudia, cantando:

“Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel!’

“Salva-nos”, Senhor, Rei de Israel era o brado da multidão esperançosa por novos tempos. Todos sabiam dos milagres de Jesus. A ressurreição de Lázaro, a amizade de Jesus com Marta e Maria eram fatos que se espalharam por toda a Judéia. E o povo clamava e exclamava pelo Seu Rei.

E o Novo Rei de Israel, sem coroa e sem espada, entrou em Jerusalém, montado num jumentinho, filho de uma jumenta. Sinal de um Novo Reino que se instalaria entre nós: um Reino de paz, de humildade, de amor.

O Antigo Testamento já predizia. Zacarias 9, 9:

“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém;
eis que vem a ti o teu rei; ele é justo e traz a salvação;
ele é humilde e vem montado sobre um jumento,
sobre um jumentinho, filho de jumenta”.


Os discípulos estranharam o fato e, só depois da glorificação de Jesus, entenderam a grandeza dessa entrada extraordinária em Jerusalém. A messianidade do Filho de Deus só, aos poucos, foi entendida pelos discípulos.

E os fariseus queixavam, murmuravam entre si, com inveja da alegria com que o povo saudava Jesus.

Entre os judeus, também existiam gregos que tinham ido para a festa da páscoa. Dotados de sabedoria, queriam conhecer de perto o Mestre, pelo povo aclamado Rei. Abordado por Filipe e André, Jesus respondeu que chegou a hora da sua glorificação.

E foi mais longe ainda. Expôs mais uma de Suas máximas profunda, pouco entendida até então:

“Em verdade, em verdade vos digo:
se o grão de trigo, caído na terra,
não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto”.
(v 24).

É necessário ser enterrado num escuro, como o trigo, passar por momentos difíceis, sofrer as agruras do tempo, resistir e morrer, para nascer de novo.

Profunda lição nos dá o Mestre, dando aos gregos e judeus uma interpretação de vida que jamais o entenderam antes. Morrer para nascer de novo, renascer. Morre o homem velho, nasce o Novo Homem!

“Nascer da água e do espírito”, tornar-se Novo Homem. O mesmo que perder a vida para ganha-la. Renunciar a si mesmo, esvaziar o ego, servir desinteressadamente e sempre. Partilhar o pão, ser sempre o menor.

Montado num jumentinho, aclamado por uma multidão, Jesus deixa no Domingo de Ramos o exemplo de vida que almeja para todos nós.

Hoje, mais do que nunca, onde imperam o dinheiro, o poder, o sucesso a todo jeito, o orgulho, ídolos do mundo moderno, precisamos voltar nossa visão para as coisas sagradas.

Precisamos de espiritualidade, carecemos de Deus, necessitamos de oração.

Tempos fortes da Quaresma! A Páscoa de Jesus se aproxima! Libertação!

Bom Domingo e

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


Wanda e Tatai

15.03.2009

domingo, 8 de março de 2009

ÉTICA DA PALAVRA

Ética da Palavra


Edvaldo Santiago

“Pelo que deixai a [mentira],
e falai a verdade cada um com o seu próximo,
pois somos membros uns dos outros”.
Efésios 4, 25


Esse bonito comentário do Mundo Católico – Evangelho do dia 17.06.2006, nos levou a refletir bem esse termos – palavra e mentira e ampliar o seu sentido.

Falar sempre a verdade, jamais mentir considera-se um princípio ético, indispensável em qualquer atividade, em qualquer relação pessoal.

Nos tempos mais antigos a palavra tinha mais força, mais vigor, mais respeito. Ditados passados nos asseguraram essa assertiva:

Palavra dada, palavra cumprida. Dou minha palavra!. Palavra de honra. Homem de palavra. Homem sem palavra. Quem jura, mente. Palavra de rei!

Não se trata, aqui, de discorrer sobre a palavra, o juramento, a mentira. Adiantamos, apenas, que mentir é sinônimo de corrupção, desonestidade, engodo. E, a propósito de juramento, convém nos lembrar que todas as autoridades governamentais, ao assumir o cargo, fazem um juramento!

Comecemos pelo Evangelho de Mateus 5, 33 - 37
”Eu vos digo: não jureis de modo algum”.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
33 "Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não jurarás falso', mas 'cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor'.
34 Eu, porém, vos digo: Não jureis de modo algum: nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
35 nem pela terra, porque é o suporte onde apóia os seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande rei.
36 Não jureis tampouco pela tua cabeça, porque tu não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo.
37 Seja o vosso 'sim': 'sim', e o vosso 'não': 'não'. Tudo o que for além disso vem do maligno".

Palavra da Salvação!

Comentando o Evangelho


Ética da Palavra

O mandamento antigo permitia o juramento, desde que não fosse falso e se cumprisse o juramento feito. Para não infringir o 2º mandamento, recorria-se a certos eufemismos, a fim de encobrir a referência a Deus. Por isso, jurava-se pelo Céu, pela Terra, por Jerusalém. A invocação de Deus ou de outros elementos visava reforçar a palavra dada, de forma a criar confiança e um senso de segurança entre as pessoas. Assim, dava-se às palavras humanas um tom de seriedade e credibilidade.

Jesus pôs um basta a tudo isto, proibindo o juramento, pura e simplesmente. O discípulo do Reino não tem necessidade de jurar, pois age com transparência, sem a menor intenção de enganar seus semelhantes. Daí ser desnecessário lançar mão de juramentos para fazer-se credível. Sua boca fala o que traz no coração, sem necessidade de reforçar suas palavras com juramentos.

Na perspectiva do Reino, as palavras supérfluas são intoleráveis, e a mentira, obra do Maligno. Este é quem move o ser humano a inverter o sentido das palavras, encobrir-lhes o significado verdadeiro, não permitindo que a verdade transpareça.

O discípulo do Reino é sóbrio no falar. Cada palavra que pronuncia, assume seu sentido pleno. Seu sim é sim, seu não é não.

As sugestões do Maligno não encontram guarida em seu coração.

Complementando, vejamos o valor da Palavra:

a) “Depois destas coisas veio a palavra do Senhor a Abrão.
numa visão, dizendo:
Não temas, “Abrão; eu sou o teu escudo, o teu galardão será grandíssimo”. (Gên. 15, 1)

b) Tu, pois, lhe falarás, e porás as palavras na sua boca;
e eu serei com a tua boca e com a dele,
e vos ensinarei o que haveis de fazer.(Ex 4, 15)

c) “Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito:
Nem só de pão viverá o homem,
mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4, 4).

d) “Passará o céu e a terra,
mas as minhas [palavra]s jamais passarão” (Mt 24,35).

e) “No princípio era o Verbo (a Palavra),
e o Verbo (a Palavra), estava com Deus, e
o Verbo (a Palavra), era Deus” (João 1, 1).

e) “Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor;
cumpra-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1, 38.

g) ”E o Verbo (a Palavra) se fez carne,
e habitou entre nós,
cheio de graça e de verdade” (João 1, 14).

Palavra do Senhor. Palavra da Salvação!


09.03.2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

2º Domingo da Quaresma - Transfiguração do Senhor

DIOCESE DE ILHÉUS - PARÓQUIA DE SÃO ROQUE
IPIAÚ – BAHIA

Transfiguração do Senhor

· 2º Domingo da Quaresma

Edvaldo Santiago

Ano B – Marcos

08 de março de 2009

Estamos em pleno tempo quaresmal. Tempo de penitencia e conversão. Tempos fortes de oração e profunda reflexão sobre a nossa vida de cristão, cristão comprometido com sua própria existência.
Antes de ler o Evangelho de hoje, pare, pelo menos, um minuto, e reflita bem. Como passou a semana, em casa e no trabalho. Como tem sido sua convivência com a esposa, com os filhos, de modo geral, com todos (as) que o (a) rodeiam.
Atente bem. Quaresma, oração, espiritualidade em alta.

· Oração do Dia

Senhor Jesus, revela-me, sempre mais, tua verdade profunda, para que eu possa compreender a grandeza do amor que manifestaste na cruz.

· Leituras para comentário e reflexão:

1ª - Gênesis 22, 1 - 2. 9a. 10 - 13. 15 - 18

1 Sucedeu, depois destas coisas, que Deus provou a Abraão, dizendo-lhe: Abraão! E este respondeu: Eis-me aqui.
2 Prosseguiu Deus: Toma agora teu filho; o teu único filho, Isaque, a quem amas; vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes que te hei de mostrar.
9 Havendo eles chegado ao lugar que Deus lhe dissera, edificou Abraão ali o altar e pôs a lenha em ordem;
10 E, estendendo a mão, pegou no cutelo para imolar a seu filho.
11 Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde o céu, e disse: Abraão, Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui.
12 Então disse o anjo: Não estendas a mão sobre o mancebo, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, visto que não me negaste teu filho, o teu único filho.
13 Nisso levantou Abraão os olhos e olhou e eis atrás de si um carneiro embaraçado pelos chifres no mato; e foi Abraão, tomou o carneiro e o ofereceu em holocausto em lugar de seu filho.
15 Então o anjo do Senhor bradou a Abraão pela segunda vez desde o céu,
16 e disse: Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, porquanto fizeste isto, e não me negaste teu filho, o teu único filho,
17 que deveras te abençoarei, e grandemente multiplicarei a tua descendência, como as estrelas do céu e como a areia que está na praia do mar; e a tua descendência possuirá a porta dos seus inimigos;
18 e em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz.

2ª – Salmo 116, 1 - 7

1 Guarda-me, ó Deus, porque em ti me refugio.
2 Digo ao Senhor: Tu és o meu Senhor; além de ti não tenho outro bem.
3 Quanto aos santos que estão na terra, eles são os ilustres nos quais está todo o meu prazer.
4 Aqueles que escolhem a outros deuses terão as suas dores multiplicadas; eu não oferecerei as suas libações de sangue, nem tomarei os seus nomes nos meus lábios.
5 Tu, Senhor, és a porção da minha herança e do meu cálice; tu és o sustentáculo do meu quinhão.
6 As sortes me caíram em lugares deliciosos; sim, coube-me uma formosa herança.
7 Bendigo ao Senhor que me aconselha; até os meus rins me ensinam de noite.

3ª Romanos 8, 31b - 34

2 Seis dias depois tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago, e a João, e os levou à parte sós, a um alto monte; e foi transfigurado diante deles;





Transfiguração do Senhor


3 as suas vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas, tais como nenhum lavandeiro sobre a terra as poderia branquear.
4 E apareceu-lhes Elias com Moisés, e falavam com Jesus.
5 Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Mestre, bom é estarmos aqui; faça-mos, pois, três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.
6 Pois não sabia o que havia de dizer, porque ficaram atemorizados.
7 Nisto veio uma nuvem que os cobriu, e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi.
8 De repente, tendo olhado em redor, não viram mais a ninguém consigo, senão só a Jesus.
9 Enquanto desciam do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, até que o Filho do homem ressurgisse dentre os mortos.
10 E eles guardaram o caso em segredo, indagando entre si o que seria o ressurgir dentre os mortos.
Comentário do Evangelho
A glória de Deus se revela no Filho!

A cena da transfiguração contrasta com a perspectiva de sofrimento e morte que aguarda Jesus em Jerusalém.
Nessa cena, evidencia Jesus, Filho de Deus, que a Vida supera a morte, longe, totalmente, da figura triunfalista que os discípulos esperavam do Mestre. Mais branco que a neve, transparente como as coisas de Deus, Jesus antecipou aos discípulos Pedro, Tiago e João a sua divindade.
A Glória de Deus se revela no Filho!


Após ter anunciado as condições para o Seu seguimento, Jesus levou seus discípulos Tiago, Pedro e João até uma montanha, Lá, eles presenciaram a figura do Mestre totalmente transfigurado, numa situação jamais imaginada por eles.
Ao lado do Filho do Homem surgiram as figuras de Moisés e Elias, deixando os mesmos discípulos assombrados diante do quadro a sua frente.

Nesse instante, semelhando a ocasião do Batismo, ouviu-se uma voz que dizia
“Este é o meu Filho amado; a ele ouvi”.

Ainda espantados, perceberam eles que Jesus estava sozinho. Não mais com Ele Moisés e Elias.

Eis que novamente, surge em Pedro a idéia de Jesus rei triunfal. Sugere ao Mestre que se façam três tendas para Jesus, Elias e Moisés. Sinal de que Pedro ainda não sentia a messianidade do Filho de Deus. Como já o fez anteriormente, Jesus repreendeu a sugestão de Pedro.

Depois da cena da transfiguração, tentando guardar, ainda, Sua divindade, Jesus pediu que não contassem a ninguém o haviam presenciado.

A narração de Marcos, dentro da simbologia cristã, nos mostra a lição de Jesus. Primeiro, Ele escolheu uma montanha para Sua transfiguração. Exemplo do monte Sinai onde se desenrolaram episódios do povo judeu. Javé é o mesmo Deus de todos.

As figuras de Elias e Moisés nos ligam ao Antigo Testamento com o profetismo e e a lei antiga. O Antigo e Novo Testamento se ligam a Jesus Cristo, a Síntese de hoje e de ontem, de sempre, como o Novo Adão.

Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.
Hb 13, 8

Com Jesus Cristo, chegou a história do Povo de Deus a

Nova e Eterna Aliança de Deus com a humanidade.

Com Abraão, em Gênesis (primeira letiura) a fé, a certeza do amor de Deus, em dando seu filho único como sacrifício, não aceito pelo Pai.

Os salmos põem toda sua confiança em Deus, Todo Poderoso. Deus que criou a terra e o céu e tudo o que nele existe e estende Sua proteção sobre nós todos..

Por fim, na segunda leitura leitura, São Paulo fecha, com chave de ouro, a celebração eucarística:

Se Deus é por nós, quem será contra nós? (v 31).

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Feliz Domingo para todos

Wanda e Tatai

terça-feira, 3 de março de 2009

Quaresma, Cinzas - Tempo de Conversão



Quaresma, Cinzas

- Tempo de Conversão -

Carnaval.

Quarta-feira de Cinzas.

Quaresma. Páscoa, Libertação!

A quaresma é o período de 40 dias que antecedem a páscoa. Começa na quarta-feira de cinzas e termina no Dia da Ceia do Senhor. Época de reflexão profunda em torno da vida, peregrinação rumo ao Infinito.

Quaresma é tempo de penitência, abertura espiritual na mudança do “homem velho” para o “homem novo”, sem remendo, sem artifício.

Refletir: Que caminhos estamos trilhando? Nossa família vai bem? Nossos filhos onde estão, como vão? Nosso relacionamento com o outro tem sido amoroso, cristão? Deus tem estado sempre conosco. Cabe a nós perceber esta Presença, esta Verdade.

“De acordo com a simbologia cristã, as cinzas representam luto, arrependimento e penitência, mas lembram também a mortalidade do corpo”. O padre Franzé Chaves, em missa celebrada na Quarta-Feira de Cinzas no Santuário de Fátima, explica o espírito da Quaresma: “Não é luto nem tristeza, é uma concentração, para entrar com entusiasmo na maior festa do ano, a Páscoa, a ressurreição de Jesus Cristo”.




Quarta-feira de Cinzas

Durante a celebração da Quarta-feira de Cinzas, foi lançada a Campanha da Fraternidade, que, neste ano, trata da segurança pública, com o lema:

A paz é fruto da justiça.

O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência.

“Eu, pois, dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, e saco e cinz” (Daniel 9, 3).

“Ai de ti, Corazin! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom, se tivessem operado os milagres que em vós se operaram, há muito elas se teriam arrependido em cilício e em cinza” (Mateus 11, 21)


De o MUNDO CATÓLICO

O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência.

· Aceitando que nos imponham as cinzas, expressamos duas realidades fundamentais:
1. Somo criaturas mortais; tomar consciência de nossa fragilidade, de inevitável fim de nossa existência terrestre, nos ajuda a avaliar melhor os rumos que compete dar à nossa vida: "você é pó, e ao pó voltará" (Gn 3, 19). Somo chamado;
Somos chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus e sua proposta do Reino, mudando nossa maneira de ver, pensar, agir.

03.03.2009

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Maturidade política - Reflexão sobre o momento atual




Maturidade política


Edvaldo Santiago


O mesmo que Madureza. Idade madura, prudência, siso, firmeza.

Equilíbrio bio-psico-social do individuo, do cidadão, em todos os momentos de sua vida. Seja mandando, seja mandado, é necessário de todos nós a maturidade no agir, no comportar-se, sobretudo no sentido de Ser.

Modesta reflexão no momento político em que estamos atravessando em todo o país.

Eleição e posse de prefeitos e vereadores. Princípio de gestão, começo de trabalho executivo e legislativo.

Primeiro pensamento, primeira meta, necessário e urgentíssimo objetivo: servir o povo, o povão, a começar pela classe humilde.

Política é a arte de administrar, de gerir o bem público. Cuidar, ciosamente, da fazenda pública, dinheiro do povo. Cuidar, tratar com zelo o povo, priorizando os menos favorecidos, carentes de atenção.

A campanha já passou. Valeu tudo, de tudo se serviram os candidatos. Propaganda, carros-de-som, carreatas, mini-comícios, criticas chistosas, discursos, as costumeiras promessas de campanha. Foram ouvidas, no entanto, nunca aceitas as ofensas pessoais. Imaturidade!

O Brasil inteiro cantou e dançou seus candidatos, suas candidatas. Linda festa da democracia! Partidos políticos digladiavam-se, medindo tempo, ocupando espaços, no intuito de persuadir seus eleitores.

E o mais bonito, o mais elogiável: a alegria e o entusiasmo dos eleitores, eles são capazes de tudo. Dos gritos, das vaias, se necessário dos tapas e beijos pelo partido, pelo candidato da sua preferência.

Nos nossos trinta e três anos de vereador, já vimos e participamos de todo esse processo de eleição. É, simplesmente maravilhoso, guardando, no entanto, o devido respeito à dignidade de cada um.

Eleitos prefeitos e vereadores, nova fase da política. Encerraram-se as campanhas, foram-se os discursos e as promessas. De lado, esquecidos mesmo os ressentimentos e as mágoas. Nada de ódio e rancores pessoais.
Já o dissemos e repetimos, dezenas de vezes: adversários políticos não significam inimigos políticos. A rigor, não se deve ter inimigos!

Inimizade, rancores, vingança são termos antiquados e incivilizados, estejam onde estiverem tais termos. O mundo pertence a todos e somos nós meros passageiros por aqui. Consultemos a história e vejamos quantos “heróis” e “donos do mundo” já se foram e já ninguém mais se lembra deles.

Ensarilhem-se as armas! Desçam dos palanques! Cessem as discussões, já desnecessárias! Parem com as brigas, ainda existentes!

O povo precisa do Senhor, Prefeito. O povo precisa dos Senhores, Vereadores. Por favor, escutem o clamor dos mais pobres; sem teto, sem o que comer, sem o que vestir.

Por favor, saiam dos palanques, saiam de suas cadeiras e dêem uma volta pela periferia, pelos bairros e vejam quanta coisa estão necessitando. Visitem,, entrem em algumas casas, em alguns casebres e vejam e sintam como se arrumam, aonde comem e aonde dormem nossos conterrâneos, também filhos de Deus.

Já não impressionam à população os discursos vazios, ofensivos e maldosos de A contra B, de B contra A. Os aplausos e as vaias nem sempre representam a voz do povo.

Precisamos, isso sim, de união, compreensão e trabalho dos eleitos, com novos projetos em benefício da comunidade. Chega de discurso vazio e inócuo.

A democracia se nutre do entendimento, do respeito e harmonia entre os três poderes da república: executivo, legislativo e judiciário. Os eleitos são representantes, periodicamente, desses três poderes. Têm compromisso com o povo.

Então, seria bom, exemplar e de bom alvitre que os dirigentes da Câmara e da Prefeitura se esquecessem das querelas que passaram e se reunissem, a fim de traçarem planos e diretrizes em benefício da comunidade. Demonstrarão


equilíbrio, prudência, mudança de mentalidade


e darão exemplos aqui e alhures. Mormente, Ipiaú que sempre foi e é Município Modelo!

Lá nos Estados Unidos, o Presidente Obama e seu adversário McCain reuniram-se, confessando este que continuavam as divergências com o Presidente eleito. Todavia, como cidadão americano quer e espera o êxito do seu oponente. Democrata e coerente com seu país, sua comunidade.

Maturidade política!

Cabe-nos, hoje, mais do que nunca, apoiar os novos eleitos – prefeito e vereadores – torcendo e pedindo a Deus que os ilumine em sua administração..

16.02.2009


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Evangelho - 6º Domingo do Tempo Comum - Cura do leproso

DIOCESE DE ILHÉUS - PARÓQUIA DE SÃO ROQUE
IPIAÚ – BAHIA

Dia dos Dias


· 6º Domingo do Tempo Comum



Edvaldo Santiago



Ano B – Marcos



15 de fevereiro de 2009

Antes de ler o Evangelho de hoje, pare, pelo menos, um minuto, e reflita bem. Como passou a semana, em casa e no trabalho. Como tem sido sua convivência com a esposa, com os filhos, de modo geral, com todos (as) que o (a) rodeiam.

· Oração do Dia


Senhor Jesus, fazei-nos crer, aumentai a nossa fé,assim como fez o leproso, pedindo-Lhe cura. Precisamos reavivar nossa fé e ter a certeza de que o Filho de Deus é sempre o Caminho, a Verdade,Vida.

· Leituras para comentário e reflexão:

- 1ª Leitura – Levítico 13, 1 - 2. 44 - 48

1 Falou mais o Senhor a Moisés e a Arão, dizendo:

2 Quando um homem tiver na pele da sua carne inchação, ou pústula, ou mancha lustrosa, e esta se tornar na sua pele como praga de lepra, então será levado a Arão o sacerdote, ou a um de seus filhos, os sacerdotes,
44 leproso é aquele homem, é imundo; o sacerdote certamente o declarará imundo; na sua cabeça está a praga.
45 Também as vestes do leproso, em quem está a praga, serão rasgadas; ele ficará com a cabeça descoberta e de cabelo solto, mas cobrirá o bigode, e clamará: Imundo, imundo.
46 Por todos os dias em que a praga estiver nele, será imundo; imundo é; habitará só; a sua habitação será fora do arraial.
47 Quando também houver praga de lepra em alguma vestidura, seja em vestidura de lã ou em vestidura de linho,
48 quer na urdidura, quer na trama, seja de linho, ou seja, de lã; ou em pele, ou em qualquer obra de pele.


- Salmo 31(32) 1 - 2. 5, 11

1 Em ti, Senhor, me refugio; nunca seja eu envergonhado; livra-me pela tua justiça!
2 Inclina para mim os teus ouvidos, livra-me depressa! Sê para mim uma rocha de refúgio, uma casa de defesa que me salve!
5 Nas tuas mãos entrego o meu espírito; tu me remiste, ó Senhor, Deus da verdade.
- 11 Por causa de todos os meus adversários tornei-me opróbrio, sim, sobremodo o sou para os meus vizinhos, e horror para os meus conhecidos; os que me vêem na rua fogem de mim.

- 2 ª Leitura – 1Coríntios 10, 31 – 11, 1

31 Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus.
32 Não vos torneis causa de tropeço nem a judeus, nem a gregos, nem a igreja de Deus;
33 assim como também eu em tudo procuro agradar a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que sejam salvos.
1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia


Jesus cura o leproso


- Evangelho - Marcos 1, 40 - 45

40 E veio a ele um leproso que, de joelhos, lhe rogava, dizendo: Se quiseres, bem podes tornar-me limpo.
41 Jesus, pois, compadecido dele, estendendo a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero; sê limpo.

42 Imediatamente desapareceu dele a lepra e ficou limpo.
43 E Jesus, advertindo-o secretamente, logo o despediu,
44 dizendo-lhe: Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.
45 Ele, porém, saindo dali, começou a publicar o caso por toda parte e a divulgá-lo, de modo que Jesus já não podia entrar abertamente numa cidade, mas conservava-se fora em lugares desertos; e de todos os lados iam ter com ele.

Comentário do Evangelho

· No Evangelho de hoje, Marcos continua a refletir sobre a fé. No Domingo passado, a simples presença de Jesus Cristo curou o mal da sogra de Simão.
Agora, no mesmo capitulo, é a vez do leproso que pediu ao Mestre que lhe limpasse o corpo, curando-o da lepra, considerada, então, pecado.
O fato em si é simples demais, para se ponderar, para se perceber a grandeza de Jesus Cristo, Filho de Deus vivo.
Simplesmente, aproxima-se o leproso do Mestre. Vamos a Marcos, grafando exatamente, como ele fez nos versículos 40/41:
40 E veio a ele um leproso que, de joelhos, lhe rogava, dizendo:
- Se quiseres, bem podes tornar-me limpo.
41 Jesus, pois, compadecido dele, estendendo a mão, tocou-o e disse-lhe:
- Quero; sê limpo.
Num profundo diálogo de amor e fé sem limites, nos leva-nos a refletir a nossa vida cotidiana. Temos fé? Teríamos a confiança e certeza de Deus o curaria? Somente com este diálogo, não seria suficiente para repensarmos a vida, nosso comportamento?
E prossegue Marcos em seu relato. O doente de lepra, ficou limpo, ficou curado a um simples toque de Jesus. Pelo amor de Deus. Que simples toque!
Na sua nobreza, o Filho do Homem pediu ao cidadão curado que não contasse o fato de sua cura a ninguém. Nunca quis publicidade.
Todavia pediu ao leproso que fosse ao sacerdote e lhe mostrasse o corpo, antes doente de lepra, agora limpo, sadio, curado.
De pouco adiantou o Mestre silenciar sobre Seus milagres. O homem curado botou a boca no mundo, anunciando que estava são da lepra que o perseguia e o tornava marginalizado.
Entrando no espírito do Evangelho, vê-se que Jesus se opunha contra a casta existente naquela época. Os donos da lei – sacerdotes, fariseus, escribas, saduceus – impunham aos pobres, doentes; às mulheres e às crianças - a lei mosaica, não a lei de Deus, proclamada por Jesus nos dois mandamentos: (Mateus 22, 37. 39-40).

Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.
Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
Sabiamente, acrescentou Jesus:
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
Assim também pregavam e ensinavam os judeus, mas, na prática, não agiam assim. Eles subjugavam, submetiam os impuros, os pecadores à sua dura lei.
Para eles, a doença, a demência, de modo geral, a pobreza era considerada pecado, impureza do corpo e da alma.
Os leprosos eram marginalizados e obrigados a viver fora da comunidade, vivendo a vida isolado de tudo e de todos. Eram considerados pecadores, impuros, não dignos de pertencerem à sociedade preconizada por eles judeus.
Por isso o Mestre veio para os doentes, para os pecadores e impuros, curando-os, respeitando-lhes a individualidade, amando-os como seres humanos que são.
Refletindo o Evangelho de Marcos:
Por acaso a situação hoje é diversa daquele tempo?
Se analisarmos com cuidado, os poderosos – políticos, econômicos – não continuam sacerdotes, escribas, fariseus homens da lei de ontem?
E os excluídos, os marginalizados estão sendo incluídos no sistema, cada vez mais fechado?
Na primeira leitura – Levítico – temos o retrato da lei de Moisés e seus privilégios.
Na sua Carta aos Coríntios, Paulo aconselha a, em tudo, em todos os nossos atos, tenhamos sempre por sublime e essencial, a Glória de Deus.
Desse modo, desejando os todos um Feliz Domingo, concluímos o comentário, com o versículo 2 do Salmo de hoje:



Inclina para mim os teus ouvidos,
livra-me depressa!
Sê para mim uma rocha de refúgio, uma casa de defesa que
me salve!


15.02.2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Entrevista - Ana e Tissiane - UNEB



Entrevista com Tatai - Ana e Tissiane

Edvaldo Santiago


Janeiro de 2009, quarta-feira, dia 28.

Dia memorável, tarde agradável, “saudades do meu tempo de professor”

Da UNEB, Ipiaú, duas estudantes - Ana e Tissiane - vieram nos entrevistar, entrevista essa que se tornou um reencontro com as Letras, com a Filosofia, com a Linguística, razão principal da entrevista. A começar pelo trema que nos deixou em paz. Fora da reforma ortográfica atual.


Tatai entre as entrevistadoras, Ana e Tissiane.

Não sabemos se comentar o assunto da entrevista ou o encontro com as duas simpáticas e encantadoras estudantes da UNEB.

Marcada por telefone a entrevista, na hora exata as duas jovens compareceram, acomodaram-se e início de papo. Ligeira apresentação e o assunto: “Variação lingüística através dos tempos”. Palavras, expressões, ditados, gírias de hoje, de ontem, de sempre.

Como sabemos, as palavras nascem, crescem, se transformam e morrem (caem em desuso).

De inicio, quisemos perguntar às duas jovens:

- “Ainda que mal o pregunte como é a graça de vosmecês”?

Todavia, não iniciamos assim a entrevista, pois Ana, Ana Medrado nos disse logo que era filha de Hélio Medrado e Elenice, pessoas gratas que tivemos a satisfação de lhes ter ensinado no GAMI – Ginásio Agrícola Municipal de Ipiaú. Idos de 1966 a 1969. Hélio começou com exames de admissão realizados no Ginásio de Rio Novo, transferindo para o GAMI.

Ana e Tatai

Tissiane, residente em Ibirataia, a conhecemos agora, tempo bastante para perceber sua inteligência, seu gosto pelos estudos. Ambas cursam o 4º semestre em Letras, já o dissemos, na UNIVERSIDADE ESTADUAL DA BAHIA - Campus Salvador da Matta, nesta cidade.

Acomodados que fomos os três, Tissiane com a máquina fotografia, Ana encarregada das perguntas, da entrevista. Professor da disciplina: Gredfon.

Após ouvir e anotar o nosso currículo, graças a Deus, começando com a minha primeira profissão – Alfaiate – demos início à entrevista, melhor dizendo ao bate-papo, linguistico e filosófico a um só tempo. Sem faltar Psicologia, indispensável em qualquer conversa.

E passamos uma tarde inteira, regada a suco de manga, com perguntas, risos, explicações científicas, ditados populares, o tempo de ontem e o tempo de hoje e o não-tempo, mais importante que todos. Sem ontem, passado; sem amanhã, futuro. Só hoje, presente, aqui, agora.

- Alguns termos em desuso -

- Al (algo, alguma coisa) – bofé (boa fé) – antanho (antigamente – entonce (então) – pregunta, preguntar (pergunta, perguntar) – graça
(nome)

- “Ainda que mal pregunte, como é a sua graça?”) – insturdia
(outro dia) – vosmecê (Vossa Mercê, você) – na pendura, na pindaíba, estar limpo, na pior (sem dinheiro).

Tintin por tintin (detalhado, miudinho) Etimologia curiosa e duvidosa, diz dos tempos antigos, quando uma dívida era paga em moeda, queria ouvir-se o som das moedas, superpostas, batendo uma sobre a outra. Dinheiro contado com cuidado.

Pão dormido (pão de um dia para outro; mais barato). Carne virada (carne de um dia para outro, nos açougues. Mais barata).

Tatai e Tissiane

Para mudar de conversa, derivamos para Gramática: Exagero com que se ensinava. Um sem número de funções do “Que”, funções do “Se”. Indo mais longe, as sabatinas, o método de alfabetização, sílaba por sílaba. Um tormento para os alunos de respostas lentas.

Bor bo le ta - ... caneta. Rheu ma tis mo - ... remédio. Enquanto os alunos gravavam as primeiras sílabas, eram essas esquecidas em relação às sílabas seguintes. Ausência, então, da Psicologia. Fora as complicações do “Y”, “H” aspirado, o “W” e o “K”, alguns deles já de volta na atual reforma.

Os verbos namorar e ficar sofreram tais significados que a geração de hoje pode explicar melhor!

Ainda sem o uso das argolas masculinas, dos piercings, dizíamos nós às jovens bonitas. Ela é uma uva, pondo a mão na ponta da orelha, acrescentávamos: é da pontinha.

De toda a nossa conversa, da linguagem científica ao papo normal de todos os dias, a variação linguística não considera tempo, nem espaço. Interessa aos interlocutores o código e a decodificação. Boca e ouvido devem entender-se e está dado o recado.

Exemplo maior dessa variação em linguagem são a gíria e os ditados populares, provérbios nascidos da inteligência e intuição do povo, do povão.

Alguns ditados populares

Deles, conhecidos para uns ignorados para outros tantos.

Vejamos:

“Todo mundo é bom, mas meu capote sumiu·”.
“Quem foi Naninha...”. ”Aproveite enquanto Brás é tesoureiro”.
“Cafundó do Judas, Cu do Judas”. “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.
“Quem gosta de mole vai para a boca do cano”.
“Quem cata pimenta é porque tem o que comer”.
“Quem comprou seu carvão molhado que assopre”.
“Quem dorme com viúva acorda com o lado frio”.
“A árvore cai com grande ruído, mas não se escuta a floresta que cresce” (Provérbio do Zaire, província de Angola, África).
Como lazer, que os leitores interpretem os ditados.

Adoramos a entrevista, amamos as entrevistadoras, muito gentis, aplicadas e inteligentes. Fizeram-nos dar um bom passeio de volta ao passado: a vida do educador.

Recomendem-nos ao Professor Gredfon e um cordial abraço na turma.

· Mini curriculum das jovens que nos entrevistaram:

Ana Medrado

Magistério em 1990 Graduanda do 4º Semestre / letras - UNEB Professora de Alfabetização e
Coordenadora de Educação Infantil da “Escola Ciranda das Letras”.


Tissiane Amâncio dos Santos

Formação Geral em 2002 Graduanda do 4º Semestre de Letras – UNEB.

Com muito carinho,

Prof. Tatai


10.02.2009

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Evangelho - 5º Domingo do Tempo Comum

DIOCESE DE ILHÉUS - PARÓQUIA DE SÃO ROQUE
IPIAÚ - BAHIA

· Dia da Igreja

· 5º Domingo do Tempo Comum

Edvaldo Santiago

Ano B – Marcos

08 de fevereiro de 2009

Antes de ler o Evangelho de hoje, pare, pelo menos, um minuto, e reflita bem. Como passou a semana, em casa e no trabalho. Como tem sido sua convivência com a esposa, com os filhos, de modo geral, com todos (as) que o (a) rodeiam.

· Oração do Dia

Senhor Jesus, eu te procuro com sinceridade, na certeza de encontrar, em ti, palavras que façam reviver a esperança no meu coração. (Paulinas).

· Leituras para comentário e reflexão:

- Primeira Leitura – Jó 7, 1 - 4. 6 – 7

1 Porventura não tem o homem duro serviço sobre a terra? E não são os seus dias como os do jornaleiro?
2 Como o escravo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,
3 assim se me deram meses de escassez, e noites de aflição se me ordenaram.
4 Havendo-me deitado, digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me revolver na cama até a alva.
6 Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e chegam ao fim sem esperança.
7 Lembra-te de que a minha vida é um sopro; os meus olhos não tornarão a ver o bem.

- Salmos 147, 1-2. 3-4. 5-6

1 Louvai ao Senhor; porque é bom cantar louvores ao nosso Deus; pois isso é agradável, e decoroso é o louvor.
2 O Senhor edifica Jerusalém, congrega os dispersos de Israel;

3 sara os quebrantados de coração, e cura-lhes as feridas;
4 conta o número das estrelas, chamando-as a todas pelos seus nomes.
5 Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; não há limite ao seu entendimento.
6 O Senhor eleva os humildes, e humilha os perversos até a terra.

- Segunda Leitura – 1Coríntios 9, 16 - 19.22 – 23

16 Pois, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, porque me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!
17 Se, pois, o faço de vontade própria, tenho recompensa; mas, se não é de vontade própria, estou apenas incumbido de uma mordomia.
18 Logo, qual é a minha recompensa? É que, pregando o evangelho, eu o faça gratuitamente, para não usar em absoluto do meu direito no evangelho.
19 Pois, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos para ganhar o maior número possível:
22 Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.
23 Ora, tudo faço por causa do evangelho, para dele tornar-me co-participante.


Jesus ora, ensina, liberta.

- Evangelho – Marcos 1, 29 - 39

29 Em seguida, saiu da sinagoga e foi a casa de Simão e André com Tiago e João.
30 A sogra de Simão estava de cama com febre, e logo lhe falaram a respeito dela.
31 Então Jesus, chegando-se e tomando-a pela mão, a levantou; e a febre a deixou, e ela os servia.
32 Sendo já tarde, tendo-se posto o sol, traziam-lhe todos os enfermos, e os endemoninhados;
33 e toda a cidade estava reunida à porta;
34 e ele curou muitos doentes atacados de diversas moléstias, e expulsou muitos demônios; mas não permitia que os demônios falassem, porque o conheciam.
35 De madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava.
36 Foram, pois, Simão e seus companheiros procurá-lo;
37 quando o encontraram, disseram-lhe: Todos te buscam.
38 Respondeu-lhes Jesus: Vamos a outras partes, às povoações vizinhas, para que eu pregue ali também; pois para isso é que vim.
39 Foi, então, por toda a Galiléia, pregando nas sinagogas deles e expulsando os demônios.

Comentário

Jesus ora, ensina e cuida de todos. Assim como foi no principio, será sempre assim.
Marcos narra, no Evangelho de hoje, que Jesus, após ter expulsado de um homem o espírito mau, foi admirado por todos os que estavam na sinagoga (vv 26-27). Espantados, perguntavam uns aos outros: “O que é isso?” “Um novo ensino, uma nova doutrina”?

Deixando-os espantados e admirados, com seus discípulos, Tiago e João, Jesus saiu da sinagoga e dirigiu-se à casa de Simão e André..

Chegando lá, avisaram a Jesus que a sogra de Simão estava de cama, sem poder
levantar-se. Tinha febre. Indo até ela, o Mestre fê-la levantar-se, curando-a.

Refeita da saúde, de imediato pôs-ela a servir a todos.

Já era tarde e o Mestre tencionava visitar outros lugares, onde O aguardavam doentes e endemoninhados atrás de cura, de saúde. Queriam Seus discípulos que Jesus ficasse ali mais um tempo, a fim de atender a tantos que queriam vê-lO, ouvir suas lições de amor e de paz.

Uma multidão estava na porta. E Ele fez milagres, curou diversas moléstias, expulsou demônios, impediu que esses demônios falassem, porque eles bem conheciam o Mestre e sabiam que Ele era Filho de Deus.

Como sempre o fazia, Jesus acordou cedo e foi ao deserto orar, conversar com o Pai. E os discípulos a sua procura, dizendo que o povo estava a Sua procura.

Foi quando o Mestre lhes disse que iria Ele e seus discípulos iriam a outros lugares. E foram pregando na Galiléia, pregando nas sinagogas, ensinando, fazendo milagres.

Numa exegese mais acurada, Marcos nos leva a refletir o conteúdo deste evangelho.

Após ter expulsado demônios, tornando livre o homem, Jesus mostra aos homens dessa época o valor da liberdade. (...livres, e não tendo a [liberdade] como capa da malícia, mas como servos de Deus). (1 Pedro 16)

A missão do cristão é servir e ninguém pode servir se não for livre. Isso aconteceu com a sogra de Pedro. Doente, com febre não tinha condições de servir. Lembremo-os que na sua época, a doença era considerada pecado, dando-se os doentes como pessoas fora do sistema. Incapazes, inúteis, pecadores.

Logo que curada, a sogra de Simão, livre, pôs-se a servir a todos. Cumpriu, assim, sua missão, nossa missão: servir.

Atentemos, também, para o fato de os discípulos queriam que Jesus demorasse mais tempo naquele lugar, como uma espécie de promoção do Mestre, como se diz hoje, um teste e popularidade. E Jesus continuou sua peregrinação, por outras plagas, curando, pregando, amando...

Na primeira leitura, Jó confessa seu sofrimento, a desdita do homem excluído, o que nos acontece, até hoje. “Ai de mim se não anunciar o evangelho” (v 16).

São Paulo, na 1ª Carta aos Coríntios. Confessa a sua alegria em pregar o evangelho, sem, contudo, vangloriar-se disso. Diz ele da sua obrigação anunciar a Palavra de Deus, da sua alegria em fazê-lo.

Por fim, como se expressa o Salmo de hoje:

Louvai ao Senhor;
porque é bom cantar louvores ao nosso Deus;
pois isso é agradável, e decoroso é o louvor. (v 1)


08.02.2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Três histórias Zen (II)


O Mestre Zen e três histórias de Vida


Edvaldo Santiago

Osho, além de iluminado é um genial contador de histórias. Historias reais, imaginárias, fantásticas, todas elas dentro de um contexto de vida, com exemplos edificantes e inesquecíveis.

Irreverente, comprometido somente com a verdade, deixou inimigos às pampas; no entanto, estão nos seus livros, nos seus discursos, nas suas palestras e meditações verdadeiros tesouros de religião, filosofia, psicologia, uma cosmovisão sem comentários.

Dentre os seus livros, não nos lembramos bem de onde, lemos esta história: se em “A Semente de Mostarda”, " A Guerra e a Paz Interior", “Palavras de Fogo” ou “Nem água nem lua” - esta última com seu verdadeiro nome, Bhagwan Shree Rajneesh.

Sem mudar o sentido, tentaremos, em forma de parábola, narrar aos leitores esta história, rica em humildade e sabedoria.

Um Mestre Zen estava às portas da morte. Seus discípulos e admiradores, toda a comunidade está aflita com a saúde do sábio. Ele era, além de iluminado, um homem bom, simples que a todos atendia sem formalidade alguma.

A historia tão bonita; a vida do mestre Zen.



Mestre Zen em meditação


Pensaram e os seus discípulos puseram em prática. No leito de morte, inquiriram eles ao Mestre Zen, pedindo-lhe, como recordação, que lhes contasse os fatos mais importantes da sua vida, que o fizeram ser mestre Zen. Sábio, iluminado!

Com voz baixa e com dificuldade, o mestre convidou seus discípulos a ouvi-lo. E contou:

Três coisas são importantes na vida do homem, para fazê-lo sábio, justo, reto.

Primeira história
: Independência.

O cidadão deve aprender a viver às sas custas. Viver em comunidade, saber partilhar, todavia ser o dono de si mesmo. Para tanto, desde cedo, cultivar os estudos, as lições de vida, o trabalho, sabendo acordar cedo e dormir tarde, lembrando-se sempre do Aberto, da Natureza, do Outro que lhe está perto. E jamais transferir para os outros as razões do seu fracasso, das suas frustrações. Sem essa de bode expiatório.

- Isso aprendi com um cão. E contou:


“Vivia eu mendigando pelas ruas, com o chapéu recolhendo esmolas. Com esse mesmo chapéu eu bebia água nos ribeirinhos da cidade. Só, sem bens ou patrimônio a ser protegido, vivia independente, dormindo ao relento, todavia a hora que quisesse e estivesse com sono. Era independente.

E aprendi assim: bebia água no rio, apanhando-a com o chapéu e sorvendo bem devagar. Numa das vezes em que bebia água, vi um cão aproximar-se do rio, entrar na água um pouco mais fundo e, com a boca, beber sua água.

De imediato, joguei de lado o chapéu e, com a boca, comecei a beber água do rio. Não mais precisava do chapéu para beber água. Eu tenho boca.

Fiz-me independente!

Segunda: honestidade.

Se não nos enganamos, a lei romana dizia “a cada um o que é seu”. Hoje, não se sabe o que é nosso, pois de todos os lados somos surrupiados, lesados, enganados. Cidadania em baixa. O cidadão vê-se às voltas com números e mais números: cpf, rg, c/c, cadastros daqui, cadastro dacolá, só não se sabe o seu nome seu perfil psicológico, se está são ou às voltas com o que comer e o que vestir.

Meia dúzia ou mesmo uma dúzia de políticos e altas autoridades, nos três níveis, tiram a diferença. Aumentam impostos, aumentam salários pessoais, dão as cartas e as pessoas, coitadas, comendo o pão que o diabo amassou. Roubos, treitas por todo lado e o famoso jeitinho brasileiro, a fim de evitar o nepotismo, políticos nomeiam mães uns de outros e tudo fica por isso mesmo.

Tudo passa, tudo é esquecido, vale tudo na política. Nada se apurou, faz de contas que nada houve, foi conversa da imprensa e continua a Polícia Federal a prender gente e soltar, consoante a lei daqui, lei dali.

Pelo amor de Deus cadê os mensalões, os valeriodutos, os dólares nas cuecas, os “dossieres” das eleições, os caça-níqueis, as ambulâncias, fortunas nas ilhas da fantasia. Inquéritos e mais inquéritos sem conclusões e ninguém na cadeia nem a devolução de um centavo. Golpe mais novo de desonestidade dos “grandes”: dinheiro escondido na parece.

Honestidade!

Aí o mestre Zen contou a segunda historia da sua vida. Vida de mestre Zen.

“Nas suas andanças pelo mundo, mendigando, olhando as árvores, cheirando as flores, sentindo a relva aos seus pés, parecia não dar conta da cidade próxima a chegar. Foi ficando tarde, a noite chegando e, quando menos esperava, chegou à cidade tarde da noite.

Casas fechadas, aqui e ali, se ouvia um canto ou um latido; nem um pé de pessoa com quem conversar ou pedir asilo.
Com fome e cansado, sentou-se num banco da praça, quando percebeu ao longe, uma luzinha e ao que lhe parecia uma porta aberta, com um tênue luz a alumiar sua esperança de abrigo e, quem sabe, comer alguma coisa.

Aproximou-se, entrou na casa e sentou-se num tosco banco existente na sala. E cochilou sendo acordado por um cidadão, mascarado, com um enorme saco nas costas.

Era um ladrão.

Dando a se conhecerem, um era um mendigo – o mestre Zen - e o dono da casa, o ladrão. Como estavam com fome, passaram a comer e conversar, confessando coisas da vida de ambos. O mestre, após identificar-se, ouviu a historia do ladrão.

Acabando de tirar a máscara, confessou que desde menino, era ladrão. Apanhava uma coisa aqui, outra ali, sempre escondido e calado em tudo o que fazia. Acostumou-se a roubar e essa foi e é a sua profissão. Ladrão honesto, angariou a simpatia do mestre que com ele conviveu mais de um mês, acompanhando, todas as noites, a sua rotina de ladrão. Saía, sempre com uma máscara, fazia o seu serviço e voltava para dormir e descansar durante o dia.

Fato curioso. Enquando vivia a sua vida de ladrão, nunca deixou de observar o jeito de ser do mestre Zen, sempre absorto em suas meditações, suas orações, sua vida contemplativa. Angariou a simpatia do mestre e ganhou dele a mesma confiança e afeto.

Após completar um mês de convivência, falando em ir embora, o ladrão, honesto, manifestou vontade de acompanhar o mestre e não houve quem o desfizesse desse propósito.

E lá se foi ele com o mestre, a essa altura, mendigando, orando, cumprindo os desígnios da vida contemplativa”.

A honestidade do ladrão marcou, com o exemplo, a vida do mestre Zen.

Vejamos bem. Um cão e um ladrão influíram na vida de um mestre! E a terceira história.

Terceira: sabedoria

Não a dos livros. Esta é horizontal, dos livros, dos homens. Refere-se o mestre à sabedoria divina, aquela que foi concedida a Salomão, no início do seu reinado. A sabedoria que é mais que conhecimento, mais que lógica ou metafísica. A que vem diretamente do Aberto, do Alto.

O conhecimento por mais evoluído e sofisticado, por mais profundo que seja, esvai-se com o corpo, ele é do corpo. Lembremo-nos de Sócrates que, sem cerimônia e para o espanto dos de todos, afirmou que só uma coisa sabia: “sei apenas que nada sei”.

A essa sabedoria refere-se o mestre no seu aprendizado de vida narrado aos discípulos na hora da morte.

Já com os olhos meio fechados, com dificuldade, contou o mestre Zen a sua terceira história, referente, como as anteriores, ao seu longo aprendizado no curso sua vida de mestre Zen, de iluminado, contemplativo, de verdadeiro saniasis.

Contou ele que, “nas suas costumeiras andanças pelo mundo, um dia, já anoitecendo, encontrou um menino, na estrada, sozinho e Deus. De feição ingênua, inocente, trazia o menino entre as mãos, uma vela acesa, uma chama bonita, ora virando para um lado ora para o outro, todavia acesa.

O mestre, então, curioso e fascinado pela beleza e candura da criança, resolveu brincar com ela, indagando:

- Meu menino, você será capaz de me dizer de onde vem a chama dessa vela?

O menino parou, olhou bem para a chama da vela e, num impulso, mansamente retorquiu:

- Só responderei, se o Senhor me disse para onde essa chama vai.

E soprou a vela, apagando a chama,
deixando uma fumacinha que,
aos poucos, ia desaparecendo no ar...”.


14.04.2007

03.02.2009

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Evangelho - 4º Domingo do Tempo Comum

DIOCESE DE ILHÉUS - PARÓQUIA DE SÃO ROQUE
IPIAÚ - BAHIA

· Dia do Senhor!




· 4º Domingo do Tempo Comum


Edvaldo Santiago



Ano B – Marcos



1º de fevereiro de 2009

2009. Novo Ano, Homem Novo. Mudanças, por dentro e por fora.
Deus sempre presente em nossa vida, dia e noite, sem cessar..
Palavra de ordem: Alerta. Acordemos para a realidade em que vivemos. A vida é nossa e a nós cabe direcioná-la. Começando da interioridade de cada um de nos.
Nada mais certo, nada mais real que começar orando, agradecendo a Deus tudo o que Ele nos tem proporcionado.
Antes de ler o Evangelho de hoje, pare, pelo menos, um minuto, e reflita bem. Como passou a semana, em casa e no trabalho. Como tem sido sua convivência com a esposa, com os filhos, de modo geral, com todos (as) que o (a) rodeiam.

· Oração do Dia

Pai, dá-me forças para que jamais eu permita ao poder do mal prevalecer sobre mim. Seja o meu coração totalmente voltado para ti e para o teu Reino. (Paulina).

· Leituras para reflexão:

· 1ª Leitura: Deuteronômio 18, 15 - 20

15 O Senhor teu Deus te suscitará do meio de ti, dentre teus irmãos, um profeta semelhante a mim; a ele ouvirás;
16 conforme tudo o que pediste ao Senhor teu Deus em Horebe, no dia da assembléia, dizendo: Não ouvirei mais a voz do Senhor meu Deus, nem mais verei este grande fogo, para que não morra.
17 Então o Senhor me disse: Falaram bem naquilo que disseram.
18 Do meio de seus irmãos lhes suscitarei um profeta semelhante a ti; e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar.
19 E de qualquer que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, eu exigirei contas.
20 Mas o profeta que tiver a presunção de falar em meu nome alguma palavra que eu não tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá.



· Salmo 94 (95), 1- 2. 6 - 9



1 Vinde, cantemos alegremente ao Senhor, cantemos com júbilo à rocha da nossa salvação.
2 Apresentemo-nos diante dele com ações de graças, e celebremo-lo com salmos de louvor.
6 Oh, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor, que nos criou.
7 Porque ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas que ele conduz. Oxalá que hoje ouvísseis a sua voz:
8 Não endureçais o vosso coração como em Meribá, como no dia de Massá no deserto,
9 quando vossos pais me tentaram, me provaram e viram a minha obra.

· 2ª Leitura: 1Coríntios 7, 32 - 35



32 Pois quero que estejais livres de cuidado. Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor,
33 mas quem é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar a sua mulher,
34 e está dividido. A mulher não casada e a virgem cuidam das coisas do Senhor para serem santas, tanto no corpo como no espírito; a casada, porém, cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido.
35 E digo isto para proveito vosso; não para vos enredar, mas para o que é decente, e a fim de poderdes dedicar-vos ao Senhor sem distração alguma.

· Evangelho – Marcos 1, 21 – 28

- Homem é libertado de um "espírito mau" -
21 Entraram em Cafarnaum; e, logo no sábado, indo ele à sinagoga, pôs-se a ensinar.
22 E maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.
23 Ora, estava na sinagoga um homem possesso dum espírito imundo, o qual gritou:
24 Que temos nós contigo, Jesus, nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus.
25 Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te, e sai dele.

Jesus liberta!

26 Então o espírito imundo, convulsionando-o e clamando com grande voz, saiu dele.
27 E todos se maravilharam a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que é isto? Uma nova doutrina com autoridade! Pois ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!
28 E logo correu a sua fama por toda a região da Galiléia.

- Comentário –

· Só Jesus liberta. Só Ele, Filho de Deus, tem o poder de nos trazer a salvação. Porque Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida.

No Evangelho de hoje, Marcos narra mais um milagre de Jesus, dessa vez numa passagem do Mestre em Cafarnaum.

Na sinagoga, enquanto ensinava, era admirado pelos presentes pelas suas palavras, sua doutrina, bem diferente da pregação dos escribas. Jesus Cristo ensinava com autoridades e todos O admiravam.

Em meio a sua pregação, eis que surge um cidadão possesso de um espírito mau, espírito imundo, Não resistindo ao poder do Filho de Deus, inquiriram eles a Jesus de Nazaré que tinham eles a ver com Ele, o Filho do Homem.

Porque Jesus queria destruí-los. Foi quando o Salvador os repreendeu e ordenou que saíssem eles do homem posse. Mandou que calasse e o espírito calou!

Jamais os presentes na sinagoga viram tal doutrina. Ficaram maravilhados e se perguntavam que é esse, de onde vem tal doutrina. Por certo, uma nova doutrina, que doutrina!

E nome de Jesus correu toda a Galiléia, seu nome se espalhou. Comentário geral de que até os espíritos obedecem a Ele!
Na primeira leitura, Deuteronômio, já Moisés pregava o poder de Javé, que havia prometido que viria um profeta, uma voz que falaria em seu nome, nome de Deus. Isso em razão de, na antiguidade – como hoje – sempre aparecem os adivinhos, os ditos astrólogos, os falsos profetas a anunciarem “suas “verdades”. Verdades que não condizem com a Verdade de Deus.

No Antigo Testamento, já Deus anunciava a vida do Seu Filho.

Em São Paulo aos Coríntios, anuncia ele a vocação para o Ministério divino. Solteiros que sejam Os casados que cuidem das suas mulheres e do mundo. Os solteiros que cuidem das coisas do Senhor. Enfim, que todos tenhamos no Senhor a esperança, a coragem de viver, a perseverança no bem.

Que cantemos como nos salmos e louvemos o Senhor. Ele o Poder, a Glória, o Amor para sempre.

Só Jesus liberta e nos conduz à vida eterna. Não nos deixemos iludir pelos novos adivinhos que, a toda hora, surgem ao nosso redor!

Um bom Domingo para todos e

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

1º de fevereiro de 2009