segunda-feira, 9 de novembro de 2009

EUCLIDES JOSÉ TEIXEIRA NETO

EUCLIDES JOSÉ TEIXEIRA NETO

Homenagem aos seus 84 anos / 11 de novembro

Entre aqui e além

• Euclides Neto – o ser humano, o homem, o cidadão



Euclides Neto autografando

Cidadão de mão cheia, desses de que o país sempre necessita, principalmente hoje, agora, quando o povo sofre e sente a ausência de homens públicos que ainda pensem no bem comum. Homens que, tendo nas mãos o poder, sempre se lembram de que sua obrigação é servir e estar disponível ao povo. Sempre ter tempo para ouvir, ver, assistir a tantos quantos o procuram, no exercício do seu cargo ou função; ou mesmo fora dele.
O retrato de Euclides Neto é servir. É estar presente.
Advogado, político; dos melhores prefeitos que passaram pela Bahia (1963 – 1966). Escritor já consagrado nacionalmente, com mais de oito livros publicados. Secretário da Reforma Agrária e Cooperativismo do Governo Waldir Pires. Orador primoroso, conferencista seguro em suas teses, principalmente nos assuntos que se refiram à reforma agrária, ao amanho da terra, ao respeito aos que nela trabalham.
Todos esses predicados se escondem no cidadão Euclides, homem simples, avesso a formalidades (dificilmente ou nunca usa paletó e gravata), pai extremoso, esposo dedicado, amigo daqueles que se guardam no coração para sempre. Tem medo de alma como todo mortal. Essa descrição, apesar de parecer pueril, é o retrato vivo do Dr. Euclides José Teixeira Neto. Apesar de todos esses títulos adquiridos por méritos pessoais e o talento que Deus lhe deu, continua sendo gente, humano dos pés à cabeça. Interiorano de Ipiaú, não quis alçar vôos políticos, inclusive ao Congresso ou Senado Federal. Preferiu ser útil entre nós a assentar-se nos tapetes da alta política. Pouca importância deu à vaidade. Por isso é ele estimado, procurado e necessário a sua comunidade, onde vive, passeia, conversa com os amigos e curte sempre a catinga. Também criador de bodes e de nelore e entendido no assunto.
Nasceu em Jenipapo, da Estrada de Ferro de Nazaré, daí para Ibirataia, de onde partiu para os estudos, formando-se em Direito.
Advogado militante, nunca acusou, sempre esteve a favor dos mais humildes, que o procuravam como advogado; posteriormente, como homem público: prefeito. Ficou sempre ao lado dos mais fracos, mormente na advocacia criminal, pouco ligando para honorários ou quaisquer vantagens pessoais. Simplesmente, a dignidade e o respeito à profissão, exemplo que transmitiu e transmite a tantos quantos tiveram a ventura de aprender e de conviver com ele de perto. Corajoso, de uma perspicácia profunda, estudioso e responsável. Grandes júris, grandes vitórias, isso sem alardes, sem foguetes. Antes, uma atitude de respeito e de seriedade para com a parte contrária, era seu hábito na sua atuação.
Como prefeito de Ipiaú, avançou o sinal e, até hoje, suas obras aí estão. Do célebre Ginásio Agrícola Municipal de Ipiaú – GAMI (hoje CEI) – à Fazenda do Povo esta terra deu um pulo em desenvolvimento equivalente a várias gestões municipais. A Fazenda do Povo é a prova de sua teoria de reforma agrária ao vivo, posta em prática. Deu certo e é palco de visitas oficiais. Hoje, com o advento da igreja, de escolas, com luz e seções eleitorais a Fazenda do Povo é uma realidade, que teve sua experiência a partir dos idos de 1995 mais ou menos. A Exposição Agropecuária, sofrendo as conseqüências da crise, foi de sua iniciativa e teve dias de visita de Ministros de Estado. Para não alongar, entre outras realizações, a mais importante, a criação da Congregação das Irmãs da Sagrada Família, espiritualmente um marco decisivo na gestão municipal Euclides Neto.
Seus livros contam a história da região, das suas dificuldades, das suas características. De “Os Magros”, com a luta de João para comprar um facão... à coragem da Albertina, que lutou e venceu a vida com “A Enxada”, seu último romance. A literatura de Euclides é de estilo vigoroso, atraente, gostoso de ler. Como todos os seus outros livros.
Na atual crise de valores, em que as coisas valem mais que os homens, Euclides Neto continua humano, humilde e simples, como gente que ainda sabe amar e ser amado.
ipiaú, 12.08.1998.




• Euclides Neto, o político.
Prefeito de Ipiaú, Município Modelo da Bahia.
Em Recife, Pernambuco, recebendo o titulo.

Dr. Euclides Neto e o Professor Edvaldo Santiago
Na Universidade Rural de Pernambuco / janeiro de 1967.

• IPIAÚ, MUNICÍPIO MODELO.

Tudo aqui medrava a olhos vistos. Era um só caminho! O progresso de Ipiaú. Idos de 1963 a 1967!

Surubim, nome de peixe, também conhecido como longo, locando, pintado ou surubi. Gostoso por sinal.

Surubim, nome do Município-Modelo do Estado de Pernambuco, ao tempo em que Ipiaú era o Município-Modelo da Bahia. Bom tempo, grandes tempos, tempo de muito trabalho e de colheita farta. Nesse ou naquele tempo, como queira, todos nós éramos um só entusiasmo e um só orgulho por Ipiaú.

Era o Prefeito de então Dr. Euclides Neto e, como hoje (1994), o velho escriba, o Presidente da Câmara. Com Lomento Júnior, Governador do Estado, até as enchentes ajudaram o crescimento de nossa comunidade. Foi quando nasceram, por exemplo, o Bairro da Democracia, a Merenda Escolar, o Ginásio Agrícola Municipal de Ipiaú, o saudoso GAMI após GEI, hoje, CEI. A Fazenda do Povo, nascida de uma experiência que deu certo, sendo seus primeiros moradores os pobres que perambulavam pelas ruas, sem profissão e carentes que queriam realmente trabalhar.

Mas vamos a Pernambuco, Recife, para a reunião dos prefeitos, e presidentes de câmaras dos municípios-modelo do Brasil. Patrocínio do INDA (Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrícola), comandado pelo inesquecível cidadão, político correto, patriota de antigamente, Dr. Edis de Souza Leão Pinto, pernambucano, brasileiro dos bons.
Lá vamos nós. Dr. Euclides, Prefeito, o Presidente da Câmara, o cronista, Da. Angélia, a primeira dama do Município e Gelinha, bem pequena ainda, filha do casal. Numa Rural não muito nova, mas bem dirigida pelo célebre Dubinha, na época Presidente do Sindicato dos Motoristas lá fomos nós representando nossa terra.

De Ipiaú a Recife, todo mundo feliz, alegre, apesar da estrada de chão batido, de sol inclemente e da seca que nos rodeava durante quase todo o percurso. Só de Petrolândia a Arco Verde, 90 quilômetros, tangente sem fim, de sol a pino, sem lugar para estender-se a mão em qualquer sombra. Deserto. Aridez. De vez em quando, poças d’água arroxeadas de gente se banhando ou matando a sede e animais, também, aguardando a sua vez.

Nesse trajeto, um fato raro a narrar. Meio a essa seca sem par, Gelinha sentiu sede e paramos numa casinha para beber água. Fomos atendidos por uma senhora, de jeito bem humilde, que nos trouxe um copo d’água.

Notada por todos nós a atitude daquela senhora. Gentil, todavia, meio sem jeito de dar a água. Foi quando Dr. Euclides, sentindo o drama, desistiu da água, dizendo que passou a sede de Gelinha.

Pois bem, sem pestanejar, a dona da casa voltou com o copo d’agua para dentro e, por certo, jogou a água no pote onde estava.

Chegamos a Recife. Recepção, acomodações. Coube para Ipiaú o Hotel “São Domingos”, muito “chic”, por sinal. Sofisticado, elegante, só mesmo para dirigentes de municípios-modelo do Brasil, entre eles, Ipiaú. Inclusive, sem despesas para os municípios.

Durante quase uma semana, todos nós nos reuníamos no auditório da Universidade Rural de Pernambuco, sob a presidência do Dr. Eudes, emérito cidadão, repita-se. Em plenário, tivemos oportunidade de relatar projetos, discutir política e nosso município serviu de exemplo em vários setores, principalmente no que se refere à união e harmonia entre os poderes governamentais. Tanto o Poder Executivo, quanto o Executivo fizeram crescer o município da Bahia, Ipiaú.

Crato, Município-Modelo do Ceará, Picos, do Piauí, Itabaiana, de Sergipe, Ipiaú, Município-Modelo da Bahia e outros discutiram, apresentaram projetos, prestaram contas, criticaram e deram sugestões sobre administração, política, economia.

Altas autoridades do país, civis e militares, as reuniões foram excelentes, delineando planos e projetos de primeira linha para os municípios-modelo, cujos critérios para a sua escolha, no Brasil, foram a independência política entre os poderes e a harmonia reinante entre os mesmos. Diga-se, de passagem, éramos mestres nesse assunto. O partido maior era sempre Ipiaú! Por isso foi escolhido Ipiaú o Município-Modelo do Brasil. A união, o respeito, a dignidade política, o bem-estar comum foram as nossas armas. O povo e os três poderes eram de bem uns com os outros!

Entre os altos debates, incluindo-se recepção no Teatro Santa Isabel e a visita ao Palácio das Princesas, então Governador de Pernambuco, o Sr. Paulo Guerra, Ipiaú marcou presença com posições, destacando-se, inclusive, em todos os setores veiculados nas reuniões.

Num dia bonito, de festa do interior, todos os municípios-modelo do Brasil reuniram-se em Surubim, pequena e saudável cidade, situada no Agreste de Pernambuco, onde o exemplo de vida e de trabalho não nos faltou hora nenhuma.

Como ouro, a água é aproveitada por todos os meios, gota por gota; represa, tanques, cacimbas, poças de chuva, pequenas lagoas, vale tudo e tudo em sua volta é aproveitado para o plantio de hortas. Água para beber, para banhar, para molhar hortas. Com que cuidado vimos poupar água! Um exemplo de vida em comunidade!

Nova recepção, discursos, almoço. Tudo natural, sem afetação para se mostrar; refresco de mangaba, fruto da terra, feijão servido em panelas de barro, churrasco, para todo igual. À tarde, bonito desfile, com os prefeitos e presidentes da câmara à frente. O Prefeito, Euclides Neto com esposa, Da. Angélia, e filha, Dr. Euclides, numa roupa de linho, calça boca larga, com a brisa da tarde, ficava balançando, à moda dos rapazinhos de então. E o modesto Presidente da Câmara. Os dois juntos com a Rainha e a Princesa do desfile em Surubim!

No Teatro Santa Isabel, no encerramento do Encontro, representando todos os municípios-modelo do Brasil, Dr. Euclides Neto foi designada para falar em nome de todos. Como nos dias anteriores, foi bem sucedido, expôs idéias políticas, todas elas de interesse do povo e foi aplaudido de pé por toda a assistência. Bela oração que marcou a todos pela singeleza e verdade nas afirmações.

Surubim, Pernambuco; Ipiaú Município-Modelo da Bahia!

Muita luta, muito suor, muito chão para percorrer na volta para casa. Mas trouxemos, entre promessas e certezas, dois tratores de esteira, raros, hoje, pelo preço, uma Kombi Odontológica e o Caminhão FNM (FÊNÊMÊ), existem até hoje.

Após uma semana de trabalhos, cansados, exaustos, pela viagem e pelas preocupações dos cargos, principalmente, o Prefeito, voltamos para casa. Missão cumprida.

Mudanças de governos. Entra Costa e Silva. Uma pena. Dr. Eudes de Souza Leão deixou o cargo. Sem sua independência política era difícil coordenar o programa.

Todavia, além dos veículos que conseguimos, ficou a lembrança, o trabalho, o esforço da administração e, melhor que tudo, o exemplo a seguir.
Maior que tudo, ainda:
Ipiaú será sempre Município-Modelo
para quem veste sua camisa, aposta no seu desenvolvimento
e acredita sempre nas
novas gerações que surgem todos os dias!
Janeiro de 1967
22.12.1994.

• EUCLIDES JOSÉ TEIXEIRA NETO

Escritor, cronista, jornalista, articulista, poeta, romancista de primeira.
Dicionarista, inclusive, autor de “Cacareco”, dicionário da nossa região.
Advogado, criminalista dos melhores, defensor dos mais humildes. Nunca patrocinou causas e bancos ou de empresas milionárias.
Secretário da Reforma Agrária do governo Waldir, não quis alçar vôos políticos mais altos. Preferiu sempre viver em nossa cidade.

Autor de vários livros, entre eles “Os Magros”, que trata de um pobre trabalhador rural, às voltas para comprar um facão. E o seu dinheirinho, sempre curto. O célebre e velho problema do trabalhador e o patrão.

Entre outros livros, escreveu Machombongo, uma história de solidariedade entre viajantes de uma região. Todos os caminhantes deixavam em determinado lugar, uma espécie de cabana em que havia sempre o lugar do fogo, da água, e o lugar para que descansassem e passassem a noite.

Em Trilhas da Reforma Agrária, Euclides Neto, conhecedor profundo do assunto trata da Reforma Agrária. Como prefeito de Ipiaú nos anos de 1963 a 1967 ele deu exemplo ao país com a criação da Fazenda do Povo.

A respeito dos livros de Euclides José Saramago se expressa assim: “ O livro de Euclides Neto, se sou bom juiz, é um bom livro, merecedor daqueles louvores que são a normal substância da ‘orelhas’ ou ‘badanas’, como aqui se diz. Deu-me prazer em lê-lo.

Escreveu também o Tempo é chegado, O Menino Traquino – Crônicas políticas e Crônicas leves; Comercinho do Poço Fundo, Os Genros.

Em a Enxada, Euclides conta uma história diferente de João de “Os Magros”. Enquanto este viveu a vida toda para comprar um facão e o dinheiro não dava, Albertina de “A Enxada” com um cacumbu desse instrumento conseguiu vencer na vida: ter uma boa casa, fazer família, criar filhos e viver feliz.

O livro “64: Um Prefeito, a Revolução e os Jumentos” traça um relato completo, uma síntese da Revolução de 31 de março de 1964, com todas suas nuanças políticas e o sofrimento e a preocupação do Prefeito Euclides Neto em toda essa odisséia.

Nesse livro a história de Ipiaú – período revolucionário – encontram-se lances curiosos e verídicos, verdadeiro testemunho dos fatos de então, no que se refere tanto a pessoas como fatos que marcaram a vida de Ipiaú.

Versão verdadeira de como se faz política e administra um município.


Euclides Neto, além de escritor, orador primoroso.

• Das coisas bonitas que Euclides Neto escreveu, este artigo.
Artigo, não, um poema. Melhor ainda: mais que um artigo, mais que um poema,
Uma Oração!
.....

- Suspiros de uma enxada -

Era vez...
Levanto-me os rubis do sol encastoados nos confins das eras, e a devoção humilde dos tempos bíblicos. É chegada a hora de abrir a cova das sementes que morrem para nascer. Se o bisturi lanceta a carne e evita o fim; se a caneta escreve os poemas, os romances e as partituras; se o computador é o cérebro do homem, tudo não existiria se os feijoeiros não florissem. Sou a lâmina que rasga o músculo da terra e cria a vida.
Sofro primeiro o ferrão envenenado da terrível jararacuçu, quando o roceiro o puxa aos pés para sacudir a terra e separar a erva...
Mas, envelheço e viro um desprezível cacumbu. Os ouros e platinas antigos são cobiçados pelos museus, enquanto fico largada à toa na roça-meu último repouso. O madeiro que me completa apodrece. Meu trabalho é eterno.
Já vergada e cega, passam-me a lima ríspida ou me batem na face com a pedra rude. Sou o espelho da lua e do sol quando nascem.
Os euditos me desprezam. Sempre os perdoei. Ainda mato-lhes a fome. Lavro todos os livros do mundo e não me alimento dos seus frutos.
Estou nos banquetes. Enfeito as jarras de cristal com as pétalas matizadas. Planto o linho das toalhas de richelieu que realçam os faisões nas baixelas de prata. Em oferenda, levo as frutas da sobremesa. Plantei as jaqueiras centenárias. Até a champanha e licores que inebriam, passam todos pelo beijo dos meus lábios. Levo alegria, gargalhadas, inspiração aos músicos e poetas.
Não me queixo do destino. Em verdade, em verdade vos digo: o pão do pobre e o da hóstia consagrada (que se transforma no corpo de Cristo) e a uva do vinho do seu sangue lavam minhas lágrimas e suor.
Os poetas nunca me lavraram um canto. Rimam os passarinhos, as luas crescentes, as saudades, as flores, as dores, os albores e os amores. Mas sou símbolo do lavrador, que lavra a dor. Sou a palavra da terra.
Não chego a ser coroa cravejada de brilhantes. Nem aliança nupcial. Nem adorno das rainhas. Nem medalha do Nobel da Paz. Nem estatueta do Oscar. Nem pouso na vaidade dos comendadores. Em verdade vos digo: não vou além de um caco de ferro metido num pedaço de pau.
Não deixo o aroma de sândalo e mirra dos Reis Magos aos pés do Menino. Em verdade vos digo: alimentei a família de José e Maria com o trigo que plantei.
Meu perfume é o suor dos negros nos eitos.
Não planto as metralhadoras nas trincheiras. Planto a rosa, o jasmineiro, o manacá, a flor do feijoeiro. Não planto a fome. Carpi-la é o meu ofício. Não toco a música dos violinos. Acompanho os acordes dos canarinhos-terra das amanhecenças. Não tenho os candelabros de ouro que ilumina os anfiteatros de veludo. O sol e a lua é que me enfeitam os salões verdes dos milharais e riscam partituras no chão.
Não vou esquiar Alpes gelados nos pés de princesas. Prefiro as mãos de rocha dos descalços. Não sirvo de brinquedo para os meninos dos palácios. Mas até as criancinhas que mal começam a andar na roça pegam a enxadinha gasta da avó e saímos traquinando. E o avô ralha, comovido: menininha é cedo pra labuta, teu tempo chega.
A debutante não me leva aos bailes da corte. Mas a menina da Fazenda do Povo, antes da primeira lua, me ama tanto que a sua mamãe me esconde para não fugirmos à horta sob a pureza das noites azuladas.
Quando virar uma lágrima de aço enferrujado, num canto da roça ou do oitão da casa de taipa, não quero que me sejam gratos – ó gente de pouca fé. Rogo que cantem uma oração para que eu possa adormecer em paz e voltar ao pó da madre, que tanto amei.
Alimento todos os homens: santos, operários, reis, generais, heróis, eruditos, criminosos no fundo das prisões, prostitutas. E nunca pergunto a quem vou alimentar.
Euclides Neto
1995


Homenagem aos 84 anos de idade vividos aqui e além.


Wanda e Tatai

11.11.2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009


DIOCESE DE ILHÉUS – PARÓQUIA DE SÃO ROQUE

IPIAÚ - BAHIA

Ano B – Marcos

08 de novembro de 2009

32º Domingo do Tempo Comum

Edvaldo Santiago

ANO SACERDOTAL

• Dia da Igreja
• Dar tudo para doar-se plenamente

• Oração do Dia

Senhor Jesus, dá-me pureza de coração, para que todas as minhas ações sejam marcadas pela sinceridade e por um amor verdadeiro ao. (Paulinas).

• Leituras eucarísticas

Primeira Leitura - 1Reis 17, 10 - 16

10. Elias pôs-se a caminho para Sarepta. Chegando à porta da cidade, viu uma viúva que ajuntava lenha. Chamou-a e disse-lhe: Por favor, vai buscar-me um pouco de água numa vasilha para que eu beba.
11. E indo ela buscar-lhe a água, gritou-lhe Elias: Traze-me também um pedaço de pão.
12. Pela vida de Deus, respondeu a mulher, não tenho pão cozido: só tenho um punhado de farinha na panela e um pouco de óleo na ânfora; estava justamente apanhando dois pedaços de lenha para preparar esse resto para mim e meu filho, a fim de o comermos, e depois morrermos.
13. Elias replicou: Não temas; volta e faze como disseste; mas prepara-me antes com isso um pãozinho, e traze-mo; depois prepararás o resto para ti e teu filho.
14. Porque eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: a farinha que está na panela não se acabará, e a ânfora de azeite não se esvaziará, até o dia em que o Senhor fizer chover sobre a face da terra.
15. A mulher foi e fez o que disse Elias. Durante muito tempo ela teve o que comer, e a sua casa, e Elias.
16. A farinha não se acabou na panela nem se esgotou o óleo da ânfora, como o Senhor o tinha dito pela boca de Elias.

Salmo 146, 1 - 4

1. Salmo. Louvai o Senhor porque ele é bom; cantai ao nosso Deus porque ele é amável, e o louvor lhe convém.

2. O Senhor reconstrói Jerusalém, e congrega os dispersos de Israel.
3. Ele cura os que têm o coração ferido, e pensa-lhes as chagas.
4. É ele que fixa o número das estrelas, e designa cada uma por seu nome.
5. Grande é o Senhor nosso e poderosa a sua força; sua sabedoria não tem limites.

Segunda Leitura – Hebreus 9, 24 - 28

24. Eis por que Cristo entrou, não em santuário feito por mãos de homens, que fosse apenas figura do santuário verdadeiro, mas no próprio céu, para agora se apresentar intercessor nosso ante a face de Deus.
25. E não entrou para se oferecer muitas vezes a si mesmo, como o pontífice que entrava todos os anos no santuário para oferecer sangue alheio.
26. Do contrário, lhe seria necessário padecer muitas vezes desde o princípio do mundo; quando é certo que apareceu uma só vez ao final dos tempos para destruição do pecado pelo sacrifício de si mesmo.
27. Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo,
28. assim Cristo se ofereceu uma só vez para tomar sobre si os pecados da multidão, e aparecerá uma segunda vez, não porém em razão do pecado, mas para trazer a salvação àqueles que o esperam.


• Evangelho – Marcos 12, 38 – 44

38. Ele lhes dizia em sua doutrina: Guardai-vos dos escribas que gostam de andar com roupas compridas, de ser cumprimentados nas praças públicas
39. e de sentar-se nas primeiras cadeiras nas sinagogas e nos primeiros lugares nos banquetes.
40. Eles devoram os bens das viúvas e dão aparência de longas orações. Estes terão um juízo mais rigoroso.
41. Jesus sentou-se defronte do cofre de esmola e observava como o povo deitava dinheiro nele; muitos ricos depositavam grandes quantias.
42. Chegando uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, no valor de apenas um quadrante.
43. E ele chamou os seus discípulos e disse-lhes: Em verdade vos digo: esta pobre viúva deitou mais do que todos os que lançaram no cofre,
44. porque todos deitaram do que tinham em abundância; esta, porém, pôs, da sua indigência

Jesus e os pobres

Comentário do Evangelho

A viúva, da sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha para viver.

• A Eucaristia é o memorial de Jesus Cristo que nos infere a refletir, todos os dias, que o Seu gesto de amor nos deu a grande oportunidade da salvação. Sua via crucis, Seu sofrimentos, Sua entrega, livre e espontânea aos inimigos foram o preço da nossa redenção.

Jesus Cristo lutou o tempo todo, numa sociedade farisaica e legalista, em favor dos menos favorecidos: escravos, mulheres, criança. Rebelou´se contra o sistema cruel do dinheiro que, como ainda hoje acontece, continua oprimindo os menos favorecidos.

A narração de Marcos traça Jesus falando em dois momentos O primeiro refere-se à opulência e o fausto dos poderosos escribas e seu orgulho, O segundo momento, trata-se da pobre mulher, mulher pobre e sua doação ao cofre de esmola. Ela deu tudo o que possuía e os ricos deram, apenas, a sobra, a sobra das suas grandes posses.
Diferentemente dos humildes, os escribas gostam de exibir-se em praças públicas, falam bonito, vestem-se a rigor, todavia, em realidade não praticam o bem, não agradam ao Deus verdadeiro. Ao contraio, são simplesmente, opressores do povo.

Nesta narrativa, no segundo momento, Jesus observa o instante das ofertas no cofre de esmola. Os ricos depositavam brandes quantias. O Mestre então notou que uma pobre viúva depositou duas moedas, pequena quantia, bem pequena em relação às ofertas dos ricos e poderosos.

Mais uma lição de amor e partilha do Filho de Deus. Chamou os discípulos e lhes expôs que a oferta da pobre viúva foi muito mais significativa que a dos ricos. Enquanto eles deram a sobra do que possuíram, ele pôs no cofre de esmola tudo o que tinha.

Elias, (primeira leitura), em plena seca, falta de pão e água, caminha e chega até a cidade de Serepta. A mesma fome aí se encontra. É quando Elias avista uma mulher em busca de gravetos para acender fogo.

Chamando por ela, Elias pede-lhe pão e água, alegando ter fome. Foi quando a mulher alegou que catava gravetos para ele e o filho, acenderem o fogão, cozinhar o último pedaço de pão para ele e o filho; e depois morrerem, pois nada havia em seu casebre, se não o naco de pão.

Foi quando Elias, cujo significado é “cujo Deus é Javé”, pediu à viúva que lhe desse primeiro esse bocado, mesmo antes dela e do filho.

Sem pestanejar, a viúva assim o fez. Deu a Elias o pão seu e do filho. Aí, então, diante desse gesto e amor e de partilha, funcionou a providência divina. Deus proveu e nunca mais faltou alimento na panela da viúva. Deus sempre proverá!

E hoje e sempre, Jesus Cristo, Filho de Deus, está presente em nosso meio e, para os que n’Ele crêem está presente é o etero alimento. O Pão da Vida que desceu do céu e quem come desse Pão jamais terá fome.


Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

• Bom Domingo para todos.

08.11.2009.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

31º Domingo do Tempo Comum

DIOCESE DE ILHÉUS – PARÓQUIA DE SÃO ROQUE

IPIAÚ - BAHIA

Ano B – Marcos

1º de novembro de 2009

31º Domingo do Tempo Comum


Edvaldo Santiago

ANO SACERDOTAL

• Dia da Igreja
• Dia de Todos os Santos

• Oração do Dia

Pai, move-me pelo Espírito a trilhar o caminho da santidade, colocando minha vida em tuas mãos e buscando viver as bem-aventuranças proclamadas por teu Filho Jesus.(Paulinas).

• Leituras eucarísticas

Primeira Leitura - Apocalipse 7, 2 - 4. 9 – 14

2. Vi ainda outro anjo subir do oriente; trazia o selo de Deus vivo, e pôs-se a clamar com voz retumbante aos quatro Anjos, aos quais fora dado danificar a terra e o mar, dizendo:
3. Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que tenhamos assinalado os servos de nosso Deus em suas frontes.
4. João às sete igrejas que estão na Ásia: a vós, graça e paz da parte daquele que é, que era e que vem da parte dos sete Espíritos que estão diante do seu trono
9. Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na paciência em união com Jesus, estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
10. Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta,
11. que dizia: O que vês, escreve-o num livro e manda-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia.
12. Voltei-me para saber que voz falava comigo. Tendo-me voltado, vi sete candelabros de ouro
13. e, no meio dos candelabros, alguém semelhante ao Filho do Homem, vestindo longa túnica até os pés, cingido o peito por um cinto de ouro.
14. Tinha ele cabeça e cabelos brancos como lã cor de neve. Seus olhos eram como chamas de fogo.

Salmo 24, 1 4

1. De Davi. Para vós, Senhor, elevo a minha alma.
2. Meu Deus, em vós confio: não seja eu decepcionado! Não escarneçam de mim meus inimigos!
3. Não, nenhum daqueles que esperam em vós será confundido, mas os pérfidos serão cobertos de vergonha.
4. Senhor, mostrai-me os vossos caminhos, e ensinai-me as vossas veredas.

Segunda Leitura – 1João, 3. 1 – 3

1. O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que temos contemplado e as nossas mãos têm apalpado no tocante ao Verbo da vida -
2. porque a vida se manifestou, e nós a temos visto; damos testemunho e vos anunciamos a vida eterna, que estava no Pai e que se nos manifestou -,
3. o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo.

• Evangelho – Mateus 5, 1 - 12a

1. Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele.
2. Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:
3. Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!
4. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!
5. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!
6. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
7. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!
8. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!
9. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!
10. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!
11. Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.

12. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus.

Jesus no monte e as bem-aventuranças

Comentário do Evangelho

Alegrai-vos e exultai,
porque é grande a vossa recompensa nos céus.

Dia de todos os Santos! Todos nós somos chamados à santificação.

O Evangelho, no seu todo, é um desenvolvimento das bem-aventuranças. É a eterna lição do Filho de Deus para atingirmos o Reino dos Céus. É a Lei Maior do Cristianismo, Lei esta integralmente incluída no Projeto de Deus.

Mateus e Lucas proclamam, difundem, as bem-aventuranças de uma forma, um caminho de se chegar ao Reino. Foi no alto, no monte, que Jesus deixou-nos a lição de vida, de humildade para o resto da nossa vida. Uma sintonia perfeita com o Projeto do Seu Pai, que está nos céus, em todo lugar.

As bem-aventuranças constituem uma nova proposta de Jesus Cristo, diferente da proposta de Moisés. Enquanto este no decálogo, com as Tábuas da Lei proclamam a Lei Antiga, o faz com a negativa Não. Não matarás... Não roubaras.....

Na Nova e Eterna Aliança, Jesus propõe as suas lições em sentido afirmativo, pregando as bem-aventuranças, em número de oito de caminhos para se chegar o Reino.
Começa Ele com os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus e conclui com os bem aventurados que, caluniados perseguidos nada contra eles acontece porque eles estão incluídos no projeto de Deus.

Como dissemos acima a proposta do Mestre, no alto do Monte onde grande multidão e os discípulos estão a escuta, é o verdadeiro roteiro de todos que pretendem alcançar o Reino dos Céus. Isso é imperioso. Ou se opta por esse caminho ou jamais estaremos gozando as delícias do Reino. Reino este que está no coração de cada um de nós.

Os Santos viveram intensamente essa proposta quando em vida e hoje desfrutam da alegria de ver Deus. Para nós são modelos como Francisco de Assis, Santo Antonio, Terezinha de Lisieux, São Roque e tantos outros bem aventurados Santos.

O evangelista João (1ª leitura) já, em visão divina percebeu “alguém semelhante ao Filho do Homem vestindo longa túnica até os pés, cingindo o peito por um cinto de ouro”.

João, o discípulo amado viu Jesus. Filho de Deus redentor do Mundo.


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


• Bom Domingo para todos.


Wanda e Tatai


01.11.2009

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O destino de Buda

O destino de Buda
4ª história zen



Edvaldo Santiago


Do fragmento do texto de Osho, do livro
“DINHEIRO, TRABALHO, ESPIRITUALIDADE”.
Editora Gente, São Paulo, 2005, págs. 14-22.


Buda, o iluminado.

• Título do texto:

“A pobreza não é espiritual”.

De modo geral, o texto se refere à pobreza e à espiritualidade. A rigor, não é necessário ser pobre para ser um cidadão espiritualizado. A pobreza em si mesma não nos leva à condição de se ter espiritualidade.
Cultivou-se, por muito tempo e, ainda hoje, a idéia de pobreza ligada à espiritualidade, ao culto religioso, à piedade, à compaixão; à humildade ligada a Deus. No Oriente anda hoje se vê uma espiritualidade ligada à pobreza, o que não legitima nenhuma forma de religião ou culto de perfeição.

Também entre nós, cristãos, ainda de se nutre a esperança do pobre em alcançar o Reino. Quanto mais pobre, mais perto do Reino. Ilusão!

Por muito tempo, o versículo.

“É mais fácil um camelo passar pelo fundo duma”.
agulha do que entrar um rico no reino de Deus”. (Mt 19, 24).

Idéia absurda e fora do tempo, pensar-se assim, como se os bens, a comodidade, o conforto sejam pecados ou antiespiritualidade.

Como bem poucos, o sábio e irreverente Osho nos retrata o magistral texto “Zorba o Buda” em que descreve a alegria de viver-se a vida gozando, curtindo os prazeres da vida, sem perder-se as graças de Deus. Dançando e orando a cada momento sempre em missão de servir e de amar como Ele nos amou e nos ensinou a amar.

Viver a vida. Ação e missão concomitantes. Alegria de viver, se cantar, de meditar, cada coisa a seu tempo.

Em tese, o que se prega, o que nos espera a vida é que gozemos os prazeres do mundo ao tempo em que meditemos a nossa interioridade.
Carne e espírito não são inimigos. São partes integrantes do mesmo cidadão; merecem tratamento especial. Vida interior, vida exterior se completam, identificam-se.

Dentro do texto e tratando de assuntos espirituais, é que Osho nos conta a história do destino de Buda. Interessante e instrutiva história sobre a verdadeira espiritualidade que nada tem a ver com pobreza.

Buda, antes de ser buda, foi um Zorba.

Conta a história que Buda nasceu rei e seu pai, já velho, havia-se se preocupado com seu destino. Que fazer com tanto luxo, tanta riqueza, tanto fausto. Um único filho e o rei sem saber o que fazer com tanta riqueza.

Com a cabeça cheia de interrogações, o rei convocou todos os astrólogos do reino, a fim de lhe dizerem o destino do seu filho Buda. O que seria ele. Qual a sua vida futura. Seria um gênio, um bandido, um herói. Pouco importa o que ele seria. Precisava, isso sim, saber a que entregaria seu reino, sua fortuna, sua grandeza.

Coisa rara. Os astrólogos não sabiam o que dizer ao rei sobre o destino de Buda. A muito custo, o mais jovem dos astrólogos disse ao rei:

Majestade, nunca depararmos com coisa assim. O destino de Buda é alternativo, bipolar. Tanto ele pode ser um grande conquistador do mando, como pode renunciar ao mundo e nada dele querer ou exigir.

Pode ser um iluminado ou um mendigo. Ninguém pode aventurar-se a afirmar se ele será uma coisa ou outra. O destino de Buda é alternativo, bipolar! Pertence à totalidade, tem dentro dele a interioridade e a exterioridade.

Apavorado ficou o rei com a resposta do astrólogo. Que fazer com tanta riqueza, com tantos palácios e terras e um único filho?

Indeciso, com receio de dar sua sugestão ou conselho, o astrólogo falou

- Para que ele não renuncie ao mundo, é necessário que viva somente em torno das coisas do mundo. Buda não pode ver nada de sofrimento, de miséria ou de morte. Que se lhe dê sempre todo conforto, todo luxo, toda a grandeza em que sempre teve ao seu alcance.

Festas, mulheres, danças, todo o luxo é pouco para que ele não sinta falta de nada. Em sua volta nada que lhe cause tristeza ou sofrimento. Nos jardins que não se encontre uma folha amarelada ou morta.

Só é possível não renunciar ao mundo se não vir ou perceber coisa alguma que lhe cause dor ou sofrimento. Só o mundo exterior, o mundo em sua volta. Nada de interior, de interioridade.

Tudo combinado, tudo certo. Esta seria a vida de Buda e seu mundo exterior. Eis a lógica normal do astrólogo. Era só manter Buda em seu mundo e nada de mal lhe aconteceria. O rei ficaria satisfeito com seu filho único ate que a morte chegasse.

Todavia, a lógica do mundo e diferente da lógica divina. Há dois mundos e os dois mundos pertencem a uma totalidade. A Unidade transcendente!

Eis que um dia, inesperado e real, em passeio com o cocheiro, Buda viu um homem morto. Surpreso, chocado com o quadro, perguntou ao cocheiro o que aconteceu com o homem. Que havia com ele.

O cocheiro, receoso da resposta, lhe disse que não podia mentir. O homem estava morto. Morreu, perdeu a vida.

Foi sem limite o choque de Buda, que não conhecia nem entendia a morte. Nunca lhe haviam falado da morte. Nesse mesmo tempo, passou por ele e o cocheiro um sannyasin (um iluminado), com seu traje natural, que ia a uma reunião da juventude.

Buda, surpreso diante dessas descobertas – nada disso havia em seu mundo – demonstrou sua indignação. Fechado no mundo que seu par – rei poderoso – lhe deu, Buda jamais soube o que era morte, miséria, sofrimento, dor, compaixão. Seu mundo sempre for o de fora, o mundo exterior. Do mundo interior, da vida do espírito nada disseram a Buda ou lhe ensinaram. Daí a violenta surpresa diante do quadro que acabara de presenciar.

Imediatamente, ordenou ao cocheiro que voltasse ao palácio.

Em chegando ao palácio, mesmo tentando o cocheiro persuadi-lo ao contrário, Buda partiu, deixou o palácio, fugiu. Fugiu do seu mundo; único mundo que conhecia.

E saiu dizendo, textualmente:

“Estou partindo em busca daquilo que nunca morre”.

Assim começou a vida de Buda, o iluminado. Sidarta Gautama, o Buda.

Após todo o fausto em que viveu, não satisfeito, enjoado de tanto luxo e fartura, saiu em busca da verdadeira vida: a vida espiritual, que nunca morre.

Buda. De Zorba a Buda, o itinerário da felicidade!


Saquaíra, 15.01.2008

10.09.2009.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009


DIOCESE DE ILHÉUS – PARÓQUIA DE SÃO ROQUE

IPIAÚ - BAHIA

Ano B – Marcos

25 de outubro de 2009

30º Domingo do Tempo Comum

Edvaldo Santiago

ANO SACERDOTAL

• Dia da Igreja

• Jesus cura o cego Bartimeu

• Oração do Dia

Pai, dá-me forças para lutar contra a cegueira que me impede de reconhecer teu amor misericordioso manifestado em Jesus. Faze com que eu veja! (Paulinas).

• Leituras litúrgicas

Primeira Leitura - Jeremias 31, 7 - 9

7. Porque isto diz o Senhor: Lançai gritos de júbilo por causa de Jacó. Aclamai a primeira das nações. E fazei retumbar vossos louvores, exclamando: O Senhor salvou o seu povo, o resto de Israel.
8. Eis que os trago da terra do norte, e os reúno dos confins da terra. O cego e o coxo estarão entre eles, e também a mulher grávida e a que deu à luz. Será imensa a multidão que há de voltar,
9. e que voltará em lágrimas. Conduzi-la-ei em meio às suas preces; levá-la-ei à beira de águas correntes, por caminhos em que não tropeçarão, porque sou para com Israel qual um pai, e Efraim é o meu primogênito.

Salmo 125, 4 – 6

4. Mudai, Senhor, a nossa sorte, como as torrentes nos desertos do sul.
5. Os que semeiam entre lágrimas, recolherão com alegria.
6. Na ida, caminham chorando, os que levam a semente a espargir. Na volta, virão com alegria, quando trouxerem os seus feixes.

Segunda Leitura – Hebreus 5, 1 - 6

1. Em verdade, todo pontífice é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados.

2. Sabe compadecer-se dos que estão na ignorância e no erro, porque também ele está cercado de fraqueza.
3. Por isso, ele deve oferecer sacrifícios tanto pelos próprios pecados quanto pelos pecados do povo.
4. Ninguém se apropria desta honra, senão somente aquele que é chamado por Deus, como Aarão.
5. Assim também Cristo não se atribuiu a si mesmo a glória de ser pontífice. Esta lhe foi dada por aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Sl 2,7),
6. como também diz em outra passagem: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec (Sl 109,4).

Evangelho – Marcos 10, 46 - 52

46. Chegaram a Jericó. Ao sair dali Jesus, seus discípulos e numerosa multidão, estava sentado à beira do caminho, mendigando, Bartimeu, que era cego, filho de Timeu.
47. Sabendo que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: "Jesus, filho de Davi, em compaixão de mim!"
48. Muitos o repreendiam, para que se calasse, mas ele gritava ainda mais alto: "Filho de Davi, tem compaixão de mim!"
49. Jesus parou e disse: "Chamai-o" Chamaram o cego, dizendo-lhe: "Coragem! Levanta-te, ele te chama."
50. Lançando fora a capa, o cego ergueu-se dum salto e foi ter com ele.
51. Jesus, tomando a palavra, perguntou-lhe: Que queres que te faça? Rabôni, respondeu-lhe o cego, que eu veja!
52. Jesus disse-lhe: Vai, a tua fé te salvou." No mesmo instante, ele recuperou a vista e foi seguindo Jesus pelo caminho

Jesus e o cego Bartimeu

Comentário do Evangelho


Na 1ª leitura, profetizou Jeremias dizendo: O Senhor salvou o seu povo, o resto de Israel. Já falava o profeta o cego e o coxo estarão com Ele e também mulher grávida e a que deu à luz.

Em Hebreus, São Paulo menciona que Jesus é o sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec.

A narração de Marcos, no evangelho de hoje refere-se a caminhada de Jesus rumo a Jerusalém, para o cumprimento do projeto de Deus.

A cura de dois cegos, um, em Betsaida e outro na saída de Jericó, procurou Jesus expor aos seus discípulos o Seu messianismo, ainda não entendido pelos próprios discípulos.
O Mestre nas regiões dos Gentios, não falava em sinagoga, mas em casa como local de encontro com as novas sociedades, bem como o centro de irradiação da missão que começava.
Marcos narra, assim, o evangelho. Saindo Jesus de Jericó com seus discípulos e uma multidão um cego chamado Bartimeu estava sentado, exercendo sua profissão de mendigo.

Percebendo que Jesus passava por perto gritou bem alto para que todos ouvissem: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim. Nada impediu que o cego Bartimeu gritasse e chamasse por Jesus.

Ouvindo o apelo, Jesus parou e ordenou que torcessem o cego até Ele. Bartimeu jogou fora a capa e correndo, num salto foi ter com Jesus.

Travou-se aí um diálogo divino e de profundidade infinita entre o Mestre e o cego: Disse Jesus:

- Que queres que eu faça?

Respondeu o cego:

- Rabôni que eu veja.

E o Mestre respondeu:

- Vai a tua fé te salvou.

Segue então o cego o caminho de Jesus.

A cegueira simbolicamente é a expressão da falta de entendimento da missão do Mestre. Os próprios discípulos, até então, não compreendiam que Jesus é o Filho de Deus.

De certo modo, o cego representa a ignorância do homem diante de Deus e da natureza. Enquanto isso dificulta a vida dos que não enxergam, outros tantos os privilegiados se prevalecem explorando os menos favorecidos, os marginalizados, os sem vez, sem voz e sem teto.

Por enquanto prevalecem a corrupção, a usura, a ganância, o estato social o sucessos, as vantagens pessoais.


Até que, ontem como hoje, todos nós entendamos que Jesus Cristo é Nosso Salvador, o Redentor do mundo.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Bom domingo para todos.

Wanda e Tatai


25.10.2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Para ouvir passar o vento


Para ouvir passar o vento


Edvaldo Santiago


Tempo de amor. De trabalhar, de parar de trabalhar, de pensar. Sobretudo de pensar, refletir sobre as coisas do mundo.

Celebrar a vida!

Não compreendemos nem sabemos se nos convencem do que está acontecendo. Todo mundo tem pressa, está correndo sem direção sem saber para onde vai. Já não se anda, voa. Só não se sabe para onde estamos indo, qual o caminho, qual a meta do que queremos de nós mesmos, da vida, do mundo, do Criador.


Para ouvir passar o vento. O Sopro.

Vale a pena parar, escutar, pensar, calar, fazer profundo silêncio, Se não, de nada adianta tudo o que estamos fazendo. Ninguém percebe por que tanta correria. Não se sabe para onde vamos nem de onde vimos. É o caos.

Preocupados com dinheiro, roubos e assaltos, seqüestros e crimes de toda ordem, o tempo passa, e não fazemos o bem que queremos, mas o mal que não queremos, como bem disse São Paulo.

Fomos feitos e criados para o amor, para a comunhão, para um relacionamento sadio com nosso semelhante, com a natureza, com o Outro. Somos diferentes das coisas, porque amamos; as coisas não amam, surgem, existem, apenas.

Por que, então, não ouvir passar o vento? Por que não sermos humanos para sentir e amar e ser amado? Seres vivos pensantes e amantes que somos, por que não voltarmos às origens? À origem, divina, sagrada? Ser gente de novo, simples, crentes e cheios de fé, plenos de ternura e carinho.

Como ouvir passar o vento, se temos pressa em chegar não se sabe onde?

Como amar se só pensamos nas coisas, no resultado, no êxito e no sucesso?

O vento passa e sopra onde quer, soa em nossos ouvidos e em nossas vidas e não sentimos. Porque a natureza se afasta de nós, com medo de ser de ser destruída.

Temos vergonha em confessar os nossos sentimentos, as nossas fraquezas, o nosso medo. Somos super-homens de mentira e contra os mais fracos. Já não existem as palavras de conforto, de incentivo; generosidade, compaixão, chamego, ternura.

Para que ouvir passar o vento?

De que adianta, se estamos todos poluídos, com os rios, as ruas, as casas, o ar que respiramos e a água que bebemos. As chaminés das fábricas e as usinas nucleares são mais importantes. Os passarinhos, os sapos, os lagartos, os bichos do mato estão sendo exterminados, os campos, as relvas, as quedas d´agua. O ciclo de vida está virando ao contrário, não mais segue o rumo certo, porque não ouvimos passar o vento, não ouvimos a voz do coração, não ouvimos a voz de Deus.

Agora, então, valem as coisas que não agradam. Só se fala em corrupção, pedofilia, crimes hediondos, crueldades contra crianças.

A técnica, a ciência, a sabedoria engoliram o homem e ele já depende do que fez, do que inventou; já é ao computador que se consulta seus planos e das suas decisões. E o computador, como todas as máquinas, não chora, não ri, não tem sentimentos, não se alegra, nem fica triste. Não tem coração. Viva a técnica, viva a ciência, todavia sob o controle do homem.

Então, para que ouvir passar o vento?

Tempo de amar, de construir e destruir; de odiar, de criar; de matar, já diz o Eclesiastes.

Tempo de servir, não de ser servido.

Não é fácil, hoje, agora, simplesmente, ser gente, de carne e osso, corpo, alma e espírito; ser filho, ser pai e irmão, ser mãe. Simplesmente, ser. Não é fácil viver, todavia é necessário viver.

Contudo, contudo, como diz o poeta Fernando Pessoa:

“acho que só para ouvir passar o vento,
vale a pena ter nascido”.

Concordamos com o poeta.


Ipiaú, 08 de agosto de 2009.
Wanda e Tatai

sábado, 17 de outubro de 2009

DIOCESE DE ILHÉUS – PARÓQUIA DE SÃO ROQUE

IPIAÚ - BAHIA

Ano B – Marcos

18 de outubro de 2009

29º Domingo do Tempo Comum

Edvaldo Santiago

ANO SACERDOTAL

• Dia da Igreja

• Oração do Dia

Senhor Jesus, leva-me a escolher sempre o caminho do serviço feito na gratuidade, para eu me sentir grande junto de ti.
Senhor Jesus, leva-me a escolher sempre o caminho do serviço feito na gratuidade, para eu me sentir grande junto de ti. (Paulinas).

• Leituras litúrgicas

Primeira Leitura – Isaías 53, 10 - 11

10 Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos.
11 Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si.

Salmo 32 (33), - 5. 18 - 19. 20. 22

4 Porque a palavra do Senhor é reta; e todas as suas obras são feitas com fidelidade.
5 Ele ama a retidão e a justiça; a terra está cheia da benignidade do Senhor.
18 Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua benignidade,
19 para os livrar da morte, e para os conservar vivos na fome.
20 A nossa alma espera no Senhor; ele é o nosso auxílio e o nosso escudo.

22 Seja a tua benignidade, Senhor, sobre nós, assim como em ti esperamos. 5 Ele ama a retidão e a justiça; a terra está cheia da benignidade do Senhor.

Segunda Leitura - Hebreus 4, 14 - 16

14 Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou os céus, retenhamos firmemente a nossa confissão.
15 Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.
16 Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno.

• Evangelho – Marcos 10, 35 – 45

35 Nisso aproximaram-se dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: Mestre, queremos que nos faças o que te pedirmos.
36 Ele, pois, lhes perguntou: Que quereis que eu vos faça?
37 Responderam-lhe: Concede-nos que na tua glória nos sentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda.
38 Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis beber o cálice que eu bebo, e ser batizados no batismo em que eu sou batizado?
39 E lhe responderam: Podemos. Mas Jesus lhes disse: O cálice que eu bebo, haveis de bebê-lo, e no batismo em que eu sou batizado, haveis de ser batizados;
40 mas o sentar-se à minha direita, ou à minha esquerda, não me pertence concedê-lo; mas isso é para aqueles a quem está reservado.
41 E ouvindo isso os dez, começaram a indignar-se contra Tiago e João.
42 Então Jesus chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os que são reconhecidos como governadores dos gentios, deles se assenhoreiam, e que sobre eles os seus grandes exercem autoridade.
43 Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva;
44 e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos.
45 Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.

Jesus e dois apóstolos

Comentário do Evangelho

- O poder-serviço é a realidade –

A Eucaristia constitui-se no mais eloqüente sinal do serviço de Cristo. Jesus Cristo, o Filho do homem veio para servir e não para ser servido. Deu Sua vida em resgate de muitos, é o Salvador do mundo.

Em seus discursos, Jesus começa a declarar sua verdadeira identidade, sua messianidade. Começa também a expor a seus discípulos o que irá acontece com eles: sua paixão, sua morte, sua ressurreição.

No evangelho de hoje Marcos narra um episódio curioso e importante em uma de suas caminhadas.

Tiago e João, filhos de Zebedeu disseram ao Mestre ou pediram que eles fossem agraciados em se sentarem ao lado do Mestre quando o Filho de Deus Jesus Cristo estivesse em sua Glória.

Jesus então considerando o desejo dos discípulos retorqui: “ podeis vós beber o cálice que Eu vou beber ou ser batizado no batismo em que Eu vou ser batizado.....

Ingênua ou inocentemente os dois discípulos afirmaram que podiam.

A essa altura verifica-se que mesmo andando em companhia com Jesus, os discípulos não compreendiam Jesus. Não sabiam nem discerniam que com eles, andando com eles ouvindo diariamente a sua pregação não sabiam que Ele era o Filho de Deus vivo. Ele era Jesus Cristo o Redentor do mundo.

Os outros dez discípulos ouviam o pedido de Tiago e João e s indignara contra eles.

Foi quando Jesus mais uma vez deu-lhes a sua costumeira lição de amor e de justiça. Dsse-lhes que o poder dos overnantes, das autoridades políticas, o poder dos reis todos eles são bem diferentes do poder daqueles que aspiram trilhar os caminhos do Reino.

Ceando a lei do amor, quem quiser ser o maior seja o menor de todos; quem quiser ser o primeiro que seja o último. Servir é lei maior. Basta lembrar que Jesus nos deu o exemplo maior, lavando os pés dos discípulos na Ceia última, antes de entregar-Se aos inimigos.

Poder maior não existe que dar a vida em resgate de muitos.
,
Infelizmente a lição e o exemplo de vida de Jesus Cristo, até hoje, não foi compreendido pelas gerações que se sucedem. As idolatrias diversas como o dinheiro, a política, o consumismo, o sexo desenfreado, a ganância estão se tornando a mola mestra para a corrupção, para a violência, para o caos que nos rodeia em todo o mundo.

Infelizmente estamos no tempo em que as coisas valem mais que as pessoas. Os privilégios, as vantagens pessoais, a cruel manipulação dos mais fortes sobre os mais fracos precisam desaparecer, dando lugar à liberdade, à igualdade, ao direito de todos.

A segunda leitura, Hebreus, nos leva a senti o poder e a misericórdia de Deus, no Seu Filho, Jesus Cristo que, por nós, deu a vida e nos prometeu e está conosco até o final dos tempos;

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

• Bom Domingo para todos.


Wanda e Tatai

18.10.2009

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A Conquista de si mesmo

A Conquista de si mesmo

Comentário de

Edvaldo Santiago

(Baseado em “Colunas do Caráter” de S. Júlio Schwantes)
- Casa Publicadora Brasileira –

Certo monarca, visitando o rei de Esparta, quis saber o segredo da resistência férrea dos soldados espartanos. Foi-lhe dito residir o segredo numa sopa preta que era parte da ração de cada soldado. Insistiu o monarca em prová-la, mas qual não foi a sua decepção ao levá-la à boca.
Era intragável.

”Não se impressione”, explicou-lhe o ancião com ironia. “O tempero desta sopa consiste em rígida disciplina pessoal”. Assim o era na verdade. O monarca, afeito a uma vida fácil, rodeado de luxo da corte, não podia apreciá-la.

Sem esta rígida disciplina pessoal, inculcada desde a infância, nunca teriam os soldados de Esparta escrito a imortal página das Termópilas. Quando outros teriam preferido uma retirada “honrosa” ou uma fuga justificável sob todos os pontos, aqueles heróis, educados na escola do domínio-próprio julgaram mais digno manter a sua posição até o último homem.

“Domínio-próprio é coragem em outra forma”, dizia antigo sábio. É de Pitágoras a frase:
“Nenhum homem é livre que não se pode dominar”. Aquele que é escravo de suas paixões e instintos nega, ipso facto, sua liberdade. Não é livre nem de fato, nem de Direito. Submetendo-se ao domínio da natureza inferior, o homem abdica a sua realeza e a sua filiação divina.

Domínio-próprio não é nenhuma abstração. Envolve o domínio do apetite, do gênio, da indolência, da língua, de todos os pendores, inatos ou adquiridos. Significa subordinação da natureza inferior à superior, dos instintos à razão, dos impulsos cegos à luz da moral. Exige o reconhecimento de uma hierarquia de valores em que os interesses eternos se sobrepõem aos temporais, os espirituais aos materiais, os da sociedade aos do indivíduo.

A lei e a vontade se integram por completo no homem que alcançou elevado grau de disciplina interior. Segundo Kant sua conduta se torna padrão universal.

Seu querer se identifica com o seu dever. Nada de correto, certo ou legal ele faz por obrigação, mas o faz pelo simples querer da vontade livre e consciente. Nada de compulsório, tudo pela querer espontâneo daquele que aprendeu a dominar seus próprios sentimentos, seus caprichos, seu agir no mundo.

Conquiste-se a si mesmo, discipline suas ações, cresça todos os dias e viva a sua vida em plenitude!

30.09.2009.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

28º Domingo do Tempo Comum

DIOCESE DE ILHÉUS – PARÓQUIA DE SÃO ROQUE

IPIAÚ - BAHIA

Ano B – Marcos

11 de outubro de 2009

28º Domingo do Tempo Comum

Edvaldo Santiago

ANO SACERDOTAL

• Dia da Igreja

• “Será que os ricos se salvam?”

• Oração do Dia

Senhor Jesus, reforça minha liberdade interior de forma que nada, neste mundo, me impeça de cumprir a vontade do Pai (Paulinas).

• Leituras litúrgicas

Primeira Leitura – Sabedoria 7, 7 – 11

Aprender as lições do passado para ser povo livre

7. Assim implorei e a inteligência me foi dada, supliquei e o espírito da sabedoria veio a mim.
8. Eu a preferi aos cetros e tronos, e avaliei a riqueza como um nada ao lado da Sabedoria.
9. Não comparei a ela a pedra preciosa, porque todo o ouro ao lado dela é apenas um pouco de areia, e porque a prata diante dela será tida como lama.
10. Eu a amei mais do que a saúde e a beleza, e gozei dela mais do que da claridade do sol, porque a claridade que dela emana jamais se extingue.
11. Com ela me vieram todos os bens, e nas suas mãos inumeráveis riquezas.

Salmo 89, 12 – 15

12. Ensinai-nos a bem contar os nossos dias, para alcançarmos o saber do coração.

13. Voltai-vos, Senhor - quanto tempo tardareis? E sede propício a vossos servos.
14. Cumulai-vos desde a manhã com as vossas misericórdias, para exultarmos alegres em toda a nossa vida.
15. Consolai-nos tantos dias quantos nos afligistes, tantos anos quantos nós sofremos.

Segunda Leitura – Hebreus 4, 12 – 13

A força da Palavra de Deus

12. Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração.
13. Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.

• Evangelho - Marcos 10, 17 – 30

17. Tendo ele saído para se pôr a caminho, veio alguém correndo e, dobrando os joelhos diante dele, suplicou-lhe: "Bom Mestre, que farei para alcançara vida eterna?"
18. Jesus disse-lhe: "Por que me chamas bom? Só Deus é bom.
19. Conheces os mandamentos: não mates; não cometas adultério; não furtes; não digas falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe."
20. Ele respondeu-lhe: "Mestre, tudo isto tenho observado desde a minha mocidade."
21. Jesus fixou nele o olhar, amou-o e disse-lhe: "Uma só coisa te falta; vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me.
22. Ele entristeceu-se com estas palavras e foi-se todo abatido, porque possuía muitos bens.
23. E, olhando Jesus em derredor, disse a seus discípulos: "Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os ricos!"
24. Os discípulos ficaram assombrados com suas palavras. Mas Jesus replicou: "Filhinhos, quão difícil é entrarem no Reino de Deus os que põem a sua confiança nas riquezas!
25. É mais fácil passar o camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar o rico no Reino de Deus."
26. Eles ainda mais se admiravam, dizendo a si próprios: "Quem pode então salvar-se?"
27. Olhando Jesus para eles, disse: "Aos homens isto é impossível, mas não a Deus; pois a Deus tudo é possível.
28. Pedro começou a dizer-lhe: "Eis que deixamos tudo e te seguimos."
29. Respondeu-lhe Jesus. “Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho.
30. que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, com perseguições e no século vindouro a vida eterna.


“Vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres
e terás um tesouro no céu”.

- Comentário do Evangelho –

“O Reino é dom e partilha”

• Hoje é Domingo, Dia do Senhor, dia em os irmãos se reúnem, em festa, para celebrar a Eucaristia. Nela, a Palavra de Deus se põe à nossa disposição para o discernimento do bem e do ma. Aescolha é nossa.

As duas leituras e o evangelho de Marcos sinalizam bem os caminhos da salvação, o seguimento de Jesus.

Começa com sabedoria (primeira leitura), a Sabedoria de Deus, a Sabedoria dada a Salomão pelo Criador para que governasse com justiça e retidão o seu povo, povo de Israel. Para Salomão bem como para todos nós, preferível a sabedoria ao poder, à força, à riqueza.


Na segunda leitura, em Hebreus, o apóstolo Paulo nos adverte sobre a força da Palavra de Deus. Devemos prestar contas a Deus das nossas ações, do nosso comportamento mei aos nossos semelhantes. A Palavra de Deus e Sua Justiça são mais eficazes que uma espada bem afiada.

Culmina a liturgia com a narração de Marcos que versa sobre a riqueza, o dinheiro e a felicidade, os caminhos do Reino.

Numa das caminhadas de Jesus, aproximou-se um homem que, ajoelhando-se aos Seus, pés, pediu:

"Bom Mestre, que farei para alcançara vida eterna?"

Retrucou-lhes Jesus que o nome de bom só deve ser aplicado a Deus. Só Deus é bom. Em seguida, esclareceu Jesus os mandamentos de Deus, na ótica farisaica, obediência legal prescrita por Moisés.

Imediatamente, o homem declarou conhecer e praticar lei, desde pequeno, certo de estar em condições alcançar a vida eterna.

A sua surpresa veio com Jesus que, a fim alcançar o Reino que ele, além de conhecer toda a lei judaica, vendesse tudo o que possuía, desse o dinheiro aos pobres.

A resposta de Jesus pegou-o de surpresa, por certo, um homem muito rico, um latifundiário. Entristeceu-se e foi embora. Desistiu do Reino.

Diante do que acorria em torno deles, os discípulos conjeturaram:

"Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os ricos!"

Chamando os discípulos de filhinhos, Jesus expôs-lhes que jamais alcançará o Reino de Deus quem confiasse em sua riqueza, em seu poder, seu prestígio pessoal, político ou social.

Provocando, ainda mais a curiosidade dos discípulos, Jesus lhes disse:

“É mais fácil passar o camelo pelo fundo de uma agulha
do que entrar o rico no Reino de Deus.".

Realmente, nada mais difícil que um camelo, animal enorme, passar no buraco de uma agulha. Diante de tanta dificuldade, como é possível entrar o homem no Reino dos Céus?

E nos vem a resposta definitiva:

"Aos homens isto é impossível,
mas não a Deus; pois a Deus tudo é possível”.

E, diante da confissão de Pedro, em terem deixado tudo e seguido o Mestre, Jesus concluiu que todos aqueles que abandonarem tudo, inclusive, a família, terá, com certeza, a entrada no Reino.

Ninguém vem ao Pai, se ãao por mim, expressão de Jesus.

A escolha, decisão é nossa: Deus ou o dinheiro.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

• Bom Domingo para todos.

Wanda e Tatai

11.10.2009.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

27º Domingo do Tempo Comum

DIOCESE DE ILHÉUS – PARÓQUIA DE SÃO ROQUE

IPIAÚ - BAHIA

Ano B – Marcos

O4 de outubro de 2009


27º Domingo do Tempo Comum


Edvaldo Santiago

ANO SACERDOTAL

• Dia do Senhor

• “O que Deus uniu o homem não separe”

• Oração do Dia

Senhor Jesus, que os casais cristãos compreendam a profundidade
de sua união, obra do próprio Deus. (Paulinas).

• Leituras litúrgicas

Primeira Leitura – Gênesis 2, 18 - 24

18. O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada.”
19. Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais dos campos, e todas as aves dos céus, levaram-os ao homem, para ver como ele os havia de chamar; e todo o nome que o homem pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome.
20. O homem pôs nomes a todos os animais, a todas as aves dos céus e a todos os animais dos campos; mas não se achava para ele uma ajuda que lhe fosse adequada.
21. Então o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto ele dormia, tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar.
22. E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem.
23. “Eis agora aqui, disse o homem, o osso de meus ossos e a carne de minha carne; ela se chamará mulher, porque foi tomada do homem.”
24. Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.

• Salmo 127, 5 - 6

5. De Sião te abençoe o Senhor para que em todos os dias de tua vida gozes da prosperidade de Jerusalém,
6. e para que possas ver os filhos dos teus filhos. Reine a paz em Israel!


• Segunda Leitura - Hebreus 2, 9 - 11

9. Mas aquele que fora colocado por pouco tempo abaixo dos anjos, Jesus, nós o vemos, por sua Paixão e morte, coroado de glória e de honra. Assim, pela graça de Deus, a sua morte aproveita a todos os homens.
10. Aquele para quem e por quem todas as coisas existem, desejando conduzir à glória numerosos filhos, deliberou elevar à perfeição, pelo sofrimento, o autor da salvação deles,
11. para que santificador e santificados formem um só todo. Por isso, (Jesus) não hesita em chamá-los seus irmãos,

O que Deus uniu o homem não separe

• Evangelho – Marcos 10, 2 - 16

2. Chegaram os fariseus e perguntaram-lhe, para o pôr à prova, se era permitido ao homem repudiar sua mulher.
3. Ele respondeu-lhes: "Que vos ordenou Moisés?"
4. Eles responderam: "Moisés permitiu escrever carta de divórcio e despedir a mulher."
5. Continuou Jesus: "Foi devido à dureza do vosso coração que ele vos deu essa lei";
6. mas, no princípio da criação, Deus os fez homem e mulher.
7. Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher;
8. e os dois não serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne.
9. Não separe, pois, o homem o que Deus uniu."
10. Em casa, os discípulos fizeram-lhe perguntas sobre o mesmo assunto.
11. E ele disse-lhes: "Quem repudia sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira".
12. E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, comete adultério."
13. Apresentaram-lhe então crianças para que as tocasse; mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam.
14. Vendo-o, Jesus indignou-se e disse-lhes: "Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham".
15. Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará."
16. Em seguida, ele as abraçou e as abençoou, impondo-lhes as mãos.

Comentário do Evangelho

Jesus fala sobre o divórcio

Comecemos o Evangelho de hoje, voltando ao Velho Testamento – Gênesis primeira leitura narrando o cuidado de Deus em estabelecer que o homem na deve viver só. Precisa ele de uma companheira que lhe seja adequada.

Após a formação da terra e dos céus Deus deu ao homem autoridade para nomear todos os seres criados pó Ele. Isso foi feito. Todavia, o homem sentiu que na criação faltava uma criatura que lhe fizesse companhia e lhe fosse realmente uma ajudadora.

Foi quando Deus criou a mulher tirando da costela de Adão e feito uma mulher sua consorte para a vida toda e isso agradou ao homem que daí em diante seria sua mulher, carne da sua carne ossos dos seus ossos.

Eis a razão por que veio a ordem do Pai: O homem deixará seu pai e sua mãe para se unir a sua mulher já não são mais dois, mais uma só carne.

Partindo desse princípio – o homem e a mulher serão uma só carne – começa a narração de Marcos.

Em questões da lei os fariseus procuram condenar Jesus. Segundo a lei judaica, o homem tem direito a repudiar sua mulher e dar-lhe carta de divórcio, em contrariando o princípio de Jesus que o homem não separe o Deus uniu.

Jesus na sua sabedoria, colocando o homem e a mulher em pé de igualdade. Tanto ela como o homem tinham o mesmo direito de se separarem, sendo adúltero ou adúltera aquele ou aquela que se separasse pra casar com outro ou outra.

Daí a indissolubilidade do casamento: “o que Deus uniu o homem não separe”.

Marcos, em seu evangelho introduziu mais um assunto. Apresentando-Lhe várias crianças para que Ele Jesus, as tocasse, os discípulos quiseram impedir que o Mestre abraçasse essas mesmas crianças.

Jesus, entretanto, contrariando a vontade dos discípulos abraçou as crianças, e disse a todos que só, as crianças e sua inocência, poderia alguém entrar no Reino de Deus.

E Jesus abraçou as crianças e as abençoou tocando nelas com Suas mãos.

Em síntese dois assuntos duas lições o casamento é um sacramento instituído por Deus é indissolúvel e só quem for puro e inocente como as crianças podem entrar no reino dos céus.


Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


Bom Domingo para todos.


27.09.2009

sábado, 26 de setembro de 2009

26º Domingo do Tempo Comum

DIOCESE DE ILHÉUS – PARÓQUIA DE SÃO ROQUE

IPIAÚ - BAHIA

Ano B – Marcos

27 de setembro de 2009

26º Domingo do Tempo Comum

Edvaldo Santiago

ANO SACERDOTAL

• Dia do Senhor

• Ninguém monopoliza Deus

• Oração do Dia

Senhor Jesus, faze-me alegrar com o Reino que dá seus frutos, na história humana, das formas mais imprevistas, para além do controle humano. (Paulinas).

• Leituras litúrgicas

Primeira Leitura – Números 11, 25 - 29

25. O Senhor desceu na nuvem e falou a Moisés; tomou uma parte do espírito que o animava e a pôs sobre os setenta anciãos. Apenas repousara o espírito sobre eles, começaram a profetizar; mas não continuaram.
26. Dois homens tinham ficado no acampamento: um chamava-se Eldad e o outro, Medad, e o espírito repousou também sobre eles, pois tinham sido alistados, mas não tinham ido à tenda; e profetizaram no acampamento.
27. Um jovem correu a dar notícias a Moisés: “Eldad e Medad, disse ele, profetizam no acampamento.”
28. Então Josué, filho de Nun, servo de Moisés desde a sua juventude, tomou a palavra: “Moisés, disse ele, meu senhor, impede-os.”
29. Moisés, porém, respondeu: “Por que és tão zeloso por mim? Prouvera a Deus que todo o povo do Senhor profetizasse, e que o Senhor lhe desse o seu espírito!”

SALMO 18, 8 - 10

8. A lei do Senhor é perfeita, reconforta a alma; a ordem do Senhor é segura, instrui o simples.

9. Os preceitos do Senhor são retos, deleitam o coração; o mandamento do Senhor é luminoso, esclarece os olhos.
10. O temor do Senhor é puro, subsiste eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros, todos igualmente justos.

2ª Leitura – Tiago 5, 1 - 6

1. Vós, ricos, chorai e gemei por causa das desgraças que sobre vós virão.
2. Vossas riquezas apodreceram e vossas roupas foram comidas pela traça.
3. Vosso ouro e vossa prata enferrujaram-se e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e devorará vossas carnes como fogo. Entesourastes nos últimos dias!
4. Eis que o salário, que defraudastes aos trabalhadores que ceifavam os vossos campos, clama, e seus gritos de ceifadores chegaram aos ouvidos do Senhor dos exércitos.
5. Tendes vivido em delícias e em dissoluções sobre a terra, e saciastes os vossos corações para o dia da matança!
6. Condenastes e matastes o justo, e ele não vos resistiu.

• Evangelho – Marcos 9,38 – 43. 45, 47 - 48

38. João disse-lhe: Mestre, vimos alguém, que não nos segue, expulsar demônios em teu nome, e lho proibimos.
39. Jesus, porém, disse-lhe: Não lho proibais, porque não há ninguém que faça um prodígio em meu nome e em seguida possa falar mal de mim.
40. Pois quem não é contra nós, é a nosso favor.
41. E quem vos der de beber um copo de água porque sois de Cristo, digo-vos em verdade: não perderá a sua recompensa.
42. Mas todo o que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem ao mar!
43. Se a tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para a geena, para o fogo inextinguível
45. Se o teu pé for para ti ocasião de queda, corta-o fora; melhor te é entrares coxo na vida eterna do que, tendo dois pés, seres lançado à geena do fogo inextinguível
47. Se o teu olho for para ti ocasião de queda, arranca-o; melhor te é entrares com um olho de menos no Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres lançado à geena do fogo,
48. onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga.

Só Jesus cura!

Comentário do Evangelho

Quem não é contra nós, está a nosso favor.

• No domingo passado, enquanto Jesus, identificava-Se com o Messias, seus discípulos discutiam, entre si, qual deles era o maior. Ignoravam, ainda, que Jesus era o Enviando de Deus, o verdadeiro Redentor do mundo.

No seu evangelho, Marcos continua a descrever os discursos de Jesus, na Sua caminhada para Jerusalém, onde seria entregue aos inimigos, segundo o Projeto do Pai.

A essa altura, ainda em caminho, João, o discípulos amado, por conta rprópria, conto ao Mestre que viram alguém expulsar demônios em Seu nome, em nome de Jesus e o proibiram de fazê-lo. Fazendo isso, pensou em agradar Jesus, quando foram surpreendidos pela resposta do Filho do Homem.

Jesus, eetão, afirmou que jamais alguém curará, fará qualquer coisa em favor de outrem em seu nome, será contra ele. Se alguém faz um bem em seu nome, por certo estará a seu favor, estará com ele. E não contra ele.

A essa altura, vivendo com Jesus, ouvindo Jesus, os discípulos ainda pensavam em vantagens pessoais, em tirar partido da Sua companhia. Pebsavanm, politicamente, em formar seu grupo, sua seita, auferir vantagens ou privilégios, em nome de Jesus, Sempre o sonho do poder, mesmo entre eles discípulos do Mestre.

Continua, então, Jesus com Suas lições, dizendo que quem agrada, quem serve a qualquer dos pequeninos que os envolvem, agrada, do mesmo do modo, a ele. Esses pequeninos, simbolicamente, referem-se aos humildes, excluídos do sistema, o que até hoje acontece em nossa sociedade.

A menção de Jesus sobre o cortar a mão, o pé, a perda da visão, longe dos preceitos da lei judaica, reflete o Mestre sobre a pureza do corpo e da alma. Refere-se à conversão, ao seguimento do Filho de Deus, fidelidade total ao Projeto de Deus.

A primeira leitura reflete, antes, ao mesmo procedimento. Deus não pertence a ninguém. Ele é de todos, sem escolha pessoal, sem formação de seita ou organização particular. Deus ama a todos, sem acepção de pessoas ou de classes. O Reino dos Céus está aberto a todos aqueles que fizerem a vontade do Pai.


Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


• Bom Domingo para todos.


27.09.2009.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Agradável reencontro

“Agradável reencontro com o professor Tatai”
Foi este o titulo da reportagem do bonito e bem feito Site

• Reencontro maravilhoso entre gerações, o que nos trouxe – a mim e minha preta Wanda - emoções guardadas no cantinho do coração. Como disse o estilista da nossa língua, Machado de Assis, recordações dos dias idos e vividos... Dias plenos e bem vividos nesta terra de Ipiaú, irmã da vizinha e próspera cidade de Jequié.

• Jequié de João da Cruz Rosa, exímio alfaiate, a Tesoura de Ouro de Jequié. Maçom de primeira linha, que contribuiu muito para a fundação da Loja Maçônica Fraternidade Rionovense.

• De Jequié – IERP – Instituto Estadual Régis Pacheco – nos anos de 1966, o início da carreira de Magistério, no âmbito estadual, com o competente Diretor, Professor Milton Rabelo. Aí muito aprendemos eu e os colegas de então, Eva Maria Pinheiro, Milton Pinheiro, Carlos Borges e Aldo Trípodi, os dois últimos de saudosa memória.

• O nosso Rotary Club de Ipiaú – 30.11.1952 – oriundo de Jequié, clube padrinho, trazido por Lomanto Júnior e outros lideres da época.

• Da Direc 13, entre inúmeros bons coordenadores, ficaram na lembrança e no carinho as Professoras Maria Luisa e Selenei. Grandes amigas e mestras exemplares.

Filho de peixe, peixe é já diz o ditado. Escritor, jornalista e poeta o pai, Wilson Novaes, já o filho, do mesmo nome, desponta. Agora, o excelente jornalista, repórter e homem de letras, Você, jovem Wilson Novaes, com site de linha, moderno, muito bem bolado e de utilidades mil.

Que bom para nós de gerações mais antigas, todavia, vivendo no tempo, de hoje, sem arredar, no entanto do sagrado, dos velhos tempos em que o amor tinha as rédeas da vida.

Com seu Site, Você está fazendo isso. Vivendo, amando e servindo.

Vamos colocar um nome a este reencontro. Vamos chamá-lo de

Mãos Amigas

Ipiaú e Jequié
Informando, comunicando e servindo

Sincronicidade é bem o termo certo para coincidência significativa, na ótica de Jung, o criador da Psicologia Analítica.

Vejamos bem. Há poucos dias, de surpresa, nos visitou o Ton, o irmão e amigo deputado Ton e nos matou a saudade, brindando-nos, a mim e a Wanda, com sua extraordinária memória dos velhos e bons tempos desta terra de Ipiaú.

Do campo de futebol – Tupinambá – ao Cine Éden, ele sabe de cor e salteado tudo de Ipiaú. José Português e Dona Zelita, seus pais, residiam defronte do cinema de Jose Miráglia. Palco das grandes reuniões cívicas e políticas e do início dos grandes romances de amor.

Talvez Ton não se lembre nem saiba que seu pai era gerente de Corrêa Ribeiro. A primeira roupa – paletó e calça - que costurei em Ipiaú, foi a roupa de Jose Botelho de Almeida, seu pai. Político teimoso, correto, exemplar cidadão. Eram seus companheiros de trabalho, David Souza, nazareno, e Antero Mota, pioneiros desta comunidade.

José Humberto, líder da Saquaíra, juntamente a Marinho, bom advogado e bom de violão e composições bonitas. Saudoso Hildebrando, promotor das festas, verdadeiro ídolo da Saquaíra. Na residência de José Humberto e sua gentil esposa, realizavam-se as reuniões poéticas, culturais, com declamações e tiradas à luz da lua cheia, lambendo as praias mais lindas do litoral brasileiro:

“as praias de Cassange”.

Agradecido a Dilma, por suas palavras. Feliz semeadura, grande colheita.

A turma do reencontro com Tatai nos fez ser poeta, cronista, saudosista, um Paulo apóstolo, cheio de fé, apostando na Palavra, certo da sua Verdade.


Wilson Midlej e Jussara, Tatai, Wilson Novaes e Zé Américo.

Um nobre, inteligente e inovador quarteto:
Wilson Jussara, o jornalista inteligente e a poetisa educadora.

Wilson Novaes e Zé Américo, novos talentos – Jequié e Ipiaú unidos!


Tatai, no meio, feliz, vendo o bem prosperar num novo e jovem mundo.

Para fechar o gostoso reencontro, uma pitada de amor. Recorramos a Bilac em sua “Via Láctea”, lindo soneto.

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”.
Além das Mãos Amigas, o Coração, pois,
“só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

Wanda e Tatai

21.09.2009.
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

25º Domingo do Tempo Comum

DIOCESE DE ILHÉUS – PARÓQUIA DE SÃO ROQUE

IPIAÚ - BAHIA

Ano B – Marcos

20 de setembro de 2009

25º Domingo do Tempo Comum


Edvaldo Santiago

ANO SACERDOTAL

• Dia do Senhor

• O Messias servidor e seus discípulos

• Oração do Dia

Senhor Jesus, tira do meu coração todo ideal humano de grandeza,
e faze-me compreender (Paulinas).

• Leituras litúrgicas

Primeira Leitura – Sabedoria, 2. 12. 17 - 20

12. Cerquemos o justo, porque ele nos incomoda; é contrário às nossas ações; ele nos censura por violar a lei e nos acusa de contrariar a nossa educação.
17. Vejamos, pois, se suas palavras são verdadeiras, e experimentemos o que acontecerá quando da sua morte,
18. porque, se o justo é filho de Deus, Deus o defenderá, e o tirará das mãos dos seus adversários.
19. Provemo-lo por ultrajes e torturas, a fim de conhecer a sua doçura e estarmos cientes de sua paciência.
20. Condenemo-lo a uma morte infame. Porque, conforme ele, Deus deve intervir.

Salmo 53(54)

1. Ao mestre de canto. Com instrumentos de corda. Hino de Davi,
2. quando os zifeus vieram dizer a Saul: Davi encontra-se escondido entre nós.
3. Pela honra de vosso nome, salvai-me, meu Deus! Por vosso poder, fazei-me justiça.
4. Ó meu Deus, escutai minha oração, atendei às minhas palavras,
5. pois homens soberbos insurgiram-se contra mim; homens violentos odeiam a minha vida: não têm Deus em sua presença.
6. Mas eis que Deus vem em meu auxílio, o Senhor sustenta a minha vida.
8. De bom grado oferecer-vos-ei um sacrifício, cantarei a glória de vosso nome, Senhor, porque é bom,
9.
Segunda Leitura – Tiago 3, 16 – 4, 3

16. Onde houver ciúme e contenda, ali há também perturbação e toda espécie de vícios.
17. A sabedoria, porém, que vem de cima, é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, nem fingimento.
18. O fruto da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz.
1. Donde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros?
2. Cobiçais, e não recebeis; sois invejosos e ciumentos, e não conseguis o que desejais; litigais e fazeis guerra. Não obtendes, porque não pedis.
3. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes as vossas paixões.

• Evangelho – Marcos 9, 30 - 37

30. Tendo partido dali, atravessaram a Galiléia. Não queria, porém, que ninguém o soubesse.
31. E ensinava os seus discípulos: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão; e ressuscitará três dias depois de sua morte.
32. Mas não entendiam estas palavras; e tinham medo de lho perguntar.
33. Em seguida, voltaram para Cafarnaum. Quando já estava em casa, Jesus perguntou-lhes: De que faláveis pelo caminho?
34. Mas eles calaram-se, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles seria o maior.
35. Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos.
36. E tomando um menino, colocou-o no meio deles; abraçou-o e disse-lhes:
37. Todo o que recebe um destes meninos em meu nome, a mim é que recebe; e todo o que recebe a mim, não me recebe, mas aquele que me

Messias o servidor

Comentário do Evangelho
A novidade do Reino deve ser acolhida
com humildade e simplicidade

• Marcos, três vezes, em seu evangelho trata do mesmo tema: a messianidade de Jesus, perguntando a seus discípulos sua identidade e prenunciando seu sofrimento.

Após a declaração solene de Pedro, afirmando que Jesus é o Messias, o Mestre, ainda pediu segredo sobre sua verdadeira identidade: Ele é o Filho de Deus vivo!

Neste evangelho, continuando, Jesus e seus discípulos atravessam a Galiléia o Mestre continuava a observar o segredo sobre sua messianidade. e, nesse ínterim, Jesus continuava a ensinar seus discípulos expendo sua trajetória como Filho do Homem.

No Seu discurso, Jesus disse que seria preso pelos homens, haveria de ser castigado, maltratado; sofreria torturas e humilhações. Por fim, O matariam. No terceiro dia, Ele ressuscitaria dos mortos. Jesus venceria a morte. Jesus venceu a morte.

Assombrados com as palavras do Filho de Deus e com medo, os discípulos não entendiam o que estavam ouvindo, distantes, ainda, da divindade de Jesus Cristo.

De volta para Cafarnaum, já em casa, Jesus perguntou aos discípulos o que conversavam eles, na viagem. Escabreados, todos eles, calaram, pois haviam conversado qual deles seria o maior.

Sabendo de tudo o que tinham falado, Jesus chamou os Doze e lhes disse em tom de lição:

(v 35) “Se alguém quer ser o primeiro,
Seja o último de todos e o servo de todos”.

Ato contínuo, tomou Jesus uma criança e colocou-a no meio deles, abraçando-a, afirmou que todas as vezes que fossem bem aceita uma criança, seria, do mesmo modo, aceitá-lO. Aceitar Jesus Cristo, o Messias servidor! E mais: recebe o Pai, Aquele que O enviou.

O que importa é o serviço que se presta com amor, e não o poder. A Boa Nova do Reino deve ser acolhida como o comportamento das crianças, que, na humildade e simplicidade, com admiração, acolhem os valores da vida. Longe delas a usura, a ganância, o intuito de prejudicar o outro.

A primeira leitura – Sabedoria – já mencionava a resistência dos injustos contra a conduta, dos que agiam com vontade do Pai. Oposição do mal contra o bem.

Servir é a melhor forma de se agradar a Deus. Servir e não ser servido é a lei da vida, a lei maior do amor!


Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

• Bom Domingo para todos!


Wanda e Tatai

20.09.2009.

25º Domingo do Tempo Comum

DIOCESE DE ILHÉUS – PARÓQUIA DE SÃO ROQUE

IPIAÚ - BAHIA

Ano B – Marcos

20 de setembro de 2009


25º Domingo do Tempo Comum


Edvaldo Santiago

ANO SACERDOTAL

• Dia do Senhor

• O Messias servidor e seus discípulos

• Oração do Dia

Senhor Jesus, tira do meu coração todo ideal humano de grandeza,
e faze-me compreender (Paulinas).

• Leituras litúrgicas

Primeira Leitura – Sabedoria, 2. 12. 17 - 20

12. Cerquemos o justo, porque ele nos incomoda; é contrário às nossas ações; ele nos censura por violar a lei e nos acusa de contrariar a nossa educação.
17. Vejamos, pois, se suas palavras são verdadeiras, e experimentemos o que acontecerá quando da sua morte,
18. porque, se o justo é filho de Deus, Deus o defenderá, e o tirará das mãos dos seus adversários.
19. Provemo-lo por ultrajes e torturas, a fim de conhecer a sua doçura e estarmos cientes de sua paciência.
20. Condenemo-lo a uma morte infame. Porque, conforme ele, Deus deve intervir.

Salmo 53(54)

1. Ao mestre de canto. Com instrumentos de corda. Hino de Davi,
2. quando os zifeus vieram dizer a Saul: Davi encontra-se escondido entre nós.
3. Pela honra de vosso nome, salvai-me, meu Deus! Por vosso poder, fazei-me justiça.
4. Ó meu Deus, escutai minha oração, atendei às minhas palavras,
5. pois homens soberbos insurgiram-se contra mim; homens violentos odeiam a minha vida: não têm Deus em sua presença.
6. Mas eis que Deus vem em meu auxílio, o Senhor sustenta a minha vida.
8. De bom grado oferecer-vos-ei um sacrifício, cantarei a glória de vosso nome, Senhor, porque é bom,
9.
Segunda Leitura – Tiago 3, 16 – 4, 3

16. Onde houver ciúme e contenda, ali há também perturbação e toda espécie de vícios.
17. A sabedoria, porém, que vem de cima, é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, nem fingimento.
18. O fruto da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz.
1. Donde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros?
2. Cobiçais, e não recebeis; sois invejosos e ciumentos, e não conseguis o que desejais; litigais e fazeis guerra. Não obtendes, porque não pedis.
3. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes as vossas paixões.

• Evangelho – Marcos 9, 30 - 37

30. Tendo partido dali, atravessaram a Galiléia. Não queria, porém, que ninguém o soubesse.
31. E ensinava os seus discípulos: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão; e ressuscitará três dias depois de sua morte.
32. Mas não entendiam estas palavras; e tinham medo de lho perguntar.
33. Em seguida, voltaram para Cafarnaum. Quando já estava em casa, Jesus perguntou-lhes: De que faláveis pelo caminho?
34. Mas eles calaram-se, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles seria o maior.
35. Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos.
36. E tomando um menino, colocou-o no meio deles; abraçou-o e disse-lhes:
37. Todo o que recebe um destes meninos em meu nome, a mim é que recebe; e todo o que recebe a mim, não me recebe, mas aquele que me

O Messias servidor


Comentário do Evangelho
A novidade do Reino deve ser acolhida
com humildade e simplicidade

• Marcos, três vezes, em seu evangelho trata do mesmo tema: a messianidade de Jesus, perguntando a seus discípulos sua identidade e prenunciando seu sofrimento.

Após a declaração solene de Pedro, afirmando que Jesus é o Messias, o Mestre, ainda pediu segredo sobre sua verdadeira identidade: Ele é o Filho de Deus vivo!

Neste evangelho, continuando, Jesus e seus discípulos atravessam a Galiléia o Mestre continuava a observar o segredo sobre sua messianidade. e, nesse ínterim, Jesus continuava a ensinar seus discípulos expendo sua trajetória como Filho do Homem.

No Seu discurso, Jesus disse que seria preso pelos homens, haveria de ser castigado, maltratado; sofreria torturas e humilhações. Por fim, O matariam. No terceiro dia, Ele ressuscitaria dos mortos. Jesus venceria a morte. Jesus venceu a morte.

Assombrados com as palavras do Filho de Deus e com medo, os discípulos não entendiam o que estavam ouvindo, distantes, ainda, da divindade de Jesus Cristo.

De volta para Cafarnaum, já em casa, Jesus perguntou aos discípulos o que conversavam eles, na viagem. Escabreados, todos eles, calaram, pois haviam conversado qual deles seria o maior.

Sabendo de tudo o que tinham falado, Jesus chamou os Doze e lhes disse em tom de lição:

(v 35) “Se alguém quer ser o primeiro,
Seja o último de todos e o servo de todos”.

Ato contínuo, tomou Jesus uma criança e colocou-a no meio deles, abraçando-a, afirmou que todas as vezes que fossem bem aceita uma criança, seria, do mesmo modo, aceitá-lO. Aceitar Jesus Cristo, o Messias servidor! E mais: recebe o Pai, Aquele que O enviou.

O que importa é o serviço que se presta com amor, e não o poder. A Boa Nova do Reino deve ser acolhida como o comportamento das crianças, que, na humildade e simplicidade, com admiração, acolhem os valores da vida. Longe delas a usura, a ganância, o intuito de prejudicar o outro.

A primeira leitura – Sabedoria – já mencionava a resistência dos injustos contra a conduta, dos que agiam com vontade do Pai. Oposição do mal contra o bem.

Servir é a melhor forma de se agradar a Deus. Servir e não ser servido é a lei da vida, a lei maior do amor!


Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

• Bom Domingo para todos!


Wanda e Tatai

20.09.2009.