segunda-feira, 30 de março de 2009

O aprendiz de ladrão - História Zen (II)




“O aprendiz de ladrão”
História Zen (II)


Edvaldo Santiago

Pelo que temos visto e ouvido por aí, estão voltando a contar histórias. A pedagogia que tanto prestigiou a história ou estória está de volta.

As didáticas insossas, realistas, cansativas de tantas apostilas sem vida estão permitindo a ação indispensável do velho professor dos conselhos, das pequenas regras morais, das histórias divertidas, salutares, cheias todas elas de dignificantes exemplos de vida. Aí está à extraordinária e inacabável história de “O Sítio do pica-pau amarelo, do grande escritor Monteiro Lobato”. Além de ser contada e ouvida por várias gerações essa história é sempre nova.

Confesso que gosto de ouvir e de contar histórias. Histórias de “João e Maria”, “Aladim e a lâmpada maravilhosa”, “Ali Babá e os 40 ladrões”, “Gata borralheira”, “Branca de Neve e os sete anões”, “Cinderela” e tantas outras histórias da nossa infância às saudosas e vividas histórias de Malba Tahan. “Minha vida querida”, “Maktub”, “Mil histórias sem fim”, “O homem que calculava”, "À sombra do arco-íris”, coleção inteira do valoroso mestre, didata por excelência. Lemos tudo de Malba Tahan, incentivo maior e grato na nossa humilde carreira de Magistério.
As histórias de Malba Tahan foram o “Abre-te Sésamo” do meu amor pela educação, pela profissão amada que tenho e cultivo até hoje. Quantas histórias! Faladas, cantadas, gesticuladas, inventadas com a magia do quadro-negro, um cabo de vassoura, uma lata de massa de tomate marca “Peixe” e a intuição, o gosto pelo ensino a nossa paixão maior: os alunos e as alunas! Minhas borboletas azuis!

Como lembrança, como talismã precioso guarda o livro-chave da minha profissão de professor: “A Arte de Ler e de Contar Histórias” de Malba Tahan. Um tesouro na arte de contar histórias, conversar com meninos, meninas e adultos. Aprendi a contar histórias, o milagre do professor que mais educa que ensina. Dá mais valor à qualidade que à quantidade.
Permitam mais por saudade que vaidade nossa. Fomos alunos de Malba Tanan. Tivemos o privilégio e almoçar e tomar cafezinho com ele. Nosso professor de Didática Geral em 1957, no Colégio da Bahia, curso de Aperfeiçoamento do Magistério, em vias de começar nossa vida profissional no saudoso, inesquecível e maravilhoso “Ginásio e escola Normal de Rio Novo”.
Das histórias de Malba Tahan, dentro de fora da escola, mais nos aprofundamos com os contos de Grimm, de Andersen (Hans Christian), as fábulas de Esopo, de La Fontaine, aos contos de Machado de Assis, o estilista inimitável, nosso contador de histórias maior, Jorge Amado. Histórias, histórias a começar dos quadrinhos: gibi, saci pererê, a onça e o macaco, o coelho e o jabuti e por aí afora. Contar e viver histórias!

A escola está revivendo historias nas salas de aulas. Entre uma história e outra uma pitada de conhecimento; uma gota de humor e otimismo; um tiquinho de formação. Fora a atenção dos ouvintes.

Contar historias é ciência e arte a um só tempo.
Perdoem-nos os leitores. Ia-nos perdendo. Nosso intuito não é só dizer que gostamos de história. Nosso objetivo é contar uma história.

De autor em autor, de tempos em tempos diferentes; dentro da escola e fora dela, nunca deixamos a história, a literatura, a busca de conhecimentos. Uma forma eficaz de lubrificar o cérebro e a mente do idoso oitentão.

Assim é que, passando por dezenas e dezenas de “contadores de histórias”, nos deparamos com o já conhecido e mencionado Osho, cujo nome próprio é Bhagwan Shree Rajneesh. Desse irreverente, ousado e genial filósofo, diz melhor Sunday Times de Londres sobre Osho, dizendo ser ele um dos “Mil Construtores do Século XX” e considerado pelo escritor americano Tom Robbins como o “homem mais perigoso desde Jesus Cristo”.

Dessa vez, o sábio e iluminado Oslo, em seu livro “Harmonia Oculta”, como é oculta e misteriosa a sabedoria de Deus, nos narra à história sobre o Divino, o Aberto, o Absoluto e insondável mistério: Que é ou quem é Deus? Ou para outros povos: “Que é ou Quem são Brahma, Zen, Zeus, Osíris, Shiva e tantos outros deuses baseados na tradição espiritual dos tempos”.
A historia contada por Osho é de autoria de Gloso Hoyen. Abaixo, na íntegra..
· Quando as pessoas me perguntam como é o Zen,
Eu lhes conto a seguinte história:

Percebendo que o pai estava envelhecendo, o filho de um ladrão, pediu-lhe que lhe ensinasse o ofício, de modo que pudesse encarregar-se dos negócios da família, depois que o pai se aposentar.

O pai concordou e naquela noite eles invadiram uma casa juntos.

Abrindo uma arca enorme, o pai mandou o filho entrar ali para pegar as roupas. Logo que o rapaz entrou na arca e o pai a fechou e depois fez um grande barulho de modo que todos na casa acordassem. Então ele se esgueirou para fora da casa.

Fechado dentro da arca, o rapaz ficou irado, aterrorizado e confuso, sem saber como faria para sair. Então, ocorreu-lhe uma idéia – ele resolveu fazer ruídos imitando um gato.

A família mandou que uma empregada pegasse uma vela e fosse examinar a arca.
Quando a fechadura foi aberta, o rapaz pulou de dentro, apagou a vela, passou correndo pela empregada assustada e fugiu. As pessoas correram atrás dele.

O rapaz, percebendo um poço ao lado da estrada, atirou ali uma pedra pesada e sumiu na noite escura. Os perseguidores cercaram o poço, tentando ver o ladrão se afogando.
Quando o rapaz chegou a casa, indignado com o pai, começou a contar-lhe o que acontecera. Mas o pai o interrompeu:

- Não se incomode em me contar os detalhes. Você
Aprendeu o oficio.

Em uma de suas parábolas, Mateus 15, 12-16, Jesus Cristo expôs:

E, clamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi, e entendei:
Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina. Então os discípulos, aproximando-se dele, perguntaram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram? Respondeu-lhes ele: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são guias cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco. E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola. Respondeu Jesus: Estai vós também ainda sem entender?


Ora, ora
Quem tem ouvidos que ouça;
quem tem olhos, que veja!


30.03.2009

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